O dito pelo não dito Vol. 1 - O dito pelo não dito Vol. 1

    MARCELO GULARTE

    Do autor
    2006
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: 8590679209
    Português Brasileiro

    O livro, O dito pelo não dito, é o resultado de quinze anos de pesquisa de campo nos centros urbanos da cidade do Rio de Janeiro entrevistando pessoas de diversas idades e locais do Brasil que resultou nesse compêndio, sobre língua portuguesa, provérbios, palavras e expressões, que foi construído, trocando experiências, testemunhando e registrando a influência da oralidade no universo infinito dos ditados populares, presentes enquanto sabedoria transmitida geração a geração em todas as culturas e civilizações. Por conseguinte estre trabalho resultou também numa performance interativa inspirada neste vasto material de cultura popular que se entranha na língua portuguesa e que a reorganiza dando-lhe um novo sentido, e sobremaneira, transmitindo sábios ensinamentos de caráter filosófico, religioso e simbólico, valores que se mantêm vivos e atravessam gerações basicamente num discurso oral. Demonstrando assim, as diversas variações e o amplo canal de comunicação que há entre a norma culta e a complexidade das manifestações do saber nas camadas mais simples do nosso país.

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    Roseane Corrêa04/01/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A gente leva da vida a vida que a gente leva.

    Dito popular é uma das formas de expressão que mais admiro Cresci ouvindo minha mãe, avó, tias, pessoas mais velhas se expressando pelo dito popular. Tive uma colega de trabalho que falava toda hora e com ela aprendi um que se tornou meu lema: “A gente leva da vida a vida que a gente leva”. A grande campeã dos ditos populares na minha vida foi saudosa tia Cacilda, Baiana retada que escolheu o Rio de Janeiro pra morar, Yalorixá, eximiamente sábia, tinha uma pimenta malagueta na língua, grande observadora e conselheira, nada escapava do seu crivo para 100 % das situações ela tinha um dito que se encaixava como uma luva. Certa feita uma colega “falsiane” aprontou umas e “se fez de coitada”, tia Cacilda quando se deu conta da situação largou: “ ela se faz de boneca pra ganhar retalho”, foi uma gargalhada uníssona para todos que estavam perto e mais uma vez ela acertou de cheio. O grande autor Marcelo Gularte conseguiu reunir centenas de ditos em um só livro e olha que tenho apenas o volume 1, Ditos, trata-se de um patrimônio cultural imortalizado pela oralidade e também pela escrita. Esses conhecimentos não podem se perder e também servem para reflexão dos pensamentos e comportamento das épocas. Existem termos, ditos que não se admite mais e temos que nos trabalhar para retirar de nosso vocabulário, não naturalizar e não reproduzir, estou falando dos ditos com cunho racista “amanhã é dia de branco”, machista “carro dirigido por mulher, salve-se quem puder”, homofóbico “homem com homem da lobisomem, mulher com mulher da jacare” ou “se nao for maluco é viado”. Etnofóbico “parece índio”... Como diz Chimamanda Adichie a cultura está sempre em transformação, a cultura funciona para preservar e dar continuidade a um povo. A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura se for preciso temos de mudar nossa cultura. E se algo ofende, discrimina e é errado temos que mudar afinal ”Não censure dor alheia quem nunca dores sentiu”, sejamos empaticos, vamos descolonizar o saber. Faz bem pra saúde. O livro é um verdadiro apanhado com centenas de ditos, eu tenho vários favoritos mas fiz uma pequena seleção e você, quais os seus ditos populares favoritos? Segue os meus: “Quando era árvore frondosa, nunca me deu sombra. Agora que é espinheiro seco quer me arranhar?” "Também, quem não morre não ve Deus." "Tem mais Deus pra dar que o diabo pra tomar." "Quem tem medo de cagar, não come." "A mulher do valentao já e metade viuva." "Se gingar fosse malandragem, pato era rei." "Toda araruta tem seu dia de mingau." "Cachorro picado por cobra tem medo até de linguiça." "No fundo no fundo voces todos se dão." (minha mãe largava essa toda hora hahahahaha) "Olha só, dorme com Pedro, come com Pedro, mas olho em Pedro." "A desgraça de quem pede e depender de quem tem." "A aranha vive do que tece." "Televisão de pobre e buraco na fechadura." "Nasci nu e to vestido…" "Quem tem perna curta tem que levantar cedo e sair primeiro." São muitos, muitos, muitos, me identifico com vários, admiro muito as pessoa queridas de minha vida que sempre tem um certeiro pra todo tipo de situação. Valeu Marcelo Gularte, grande beijo.

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