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    O Clube dos Oito - Flannery Culp tem uma história para contar. A história de como se tornou uma assassina.

    Lemony Snicket

    Seguinte
    2018
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788555340659
    Português Brasileiro
    3.2
    574 avaliações
    Leram798Lendo33Querem1397Relendo0Abandonos93Resenhas77
    Favoritos32Desejados1397Avaliaram574

    Como um grupo de jovens estudantes bem-educados acabou se envolvendo num escândalo que chocou um país? Por que tantos especialistas em comportamento juvenil têm algo a dizer quando o assunto é o Clube dos Oito? Até quando inúmeras manchetes de jornal e programas de TV sensacionalistas vão explorar o caso nos mínimos detalhes? Para fazer com que a verdade venha à tona, Flannery Culp, a dita líder do Clube, decide tornar público o diário que manteve ao longo do seu desastroso último ano de ensino médio. Agora que está presa por cometer um assassinato, a garota tem tempo de editar o que escreveu e revisitar a rotina que levava ao lado de seus sete melhores amigos. A narrativa de Flan, permeada de professores da pior índole, um amor não correspondido, aulas complicadas e jantares pomposos, comprova que ela pode até ser uma adolescente criminosa — mas, pelo menos, é uma adolescente criminosa muito inteligente.

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    Queria Estar Lendo24/11/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha: O Clube dos Oito

    O Clube dos Oito foi o primeiro romance do autor Daniel Handler, mais conhecido por Desventuras em Série a qual escreveu sob o pseudônimo de Lemony Snicket. A obra publicada pela Editora Seguinte, que nos cedeu um exemplar para resenha, narra a história de Flannery Culp e como ela e mais sete amigos entraram para a história dos EUA como uma seita satânica de jovens assassinos. Flannery inicia o relato explicando que o livro se trata de uma transcrição de seus diários, acrescido de alguns detalhes e sofrendo algumas pequenas modificações. Nas próximas páginas, ela promete, serão apresentados os acontecimentos envolvendo o Clube dos Oito que culminaram no assassinato que chocou o país. Mas para isso, é preciso primeiro entender o amor de Flan por Adam State e os postais apaixonados que ela o enviou naquele verão e que foram o estopim de uma grande trama que terminou no assassinato violento do mesmo. A história se desenrola com o passar do ano, sempre pela perspectiva da protagonista, sendo os outros integrantes do Clube dos Oito meros espectadores do grande espetáculo que é a vida de Flannery. O grupo de amigos, unidos e fechados entre si, é parte essencial para o desenvolvimento da trama. A princípio não se identifica um líder ou uma figura proeminente, até próximo ao final, quando elementos surpresa se revelam e passa a ficar claro que Flan sempre foi a figura de destaque e o que unia o grupo. Quanto aos acontecimentos do livro, O Clube dos Oito mostra um grupo de jovens adolescentes com uma situação financeira muito favorável e que vivem uma vida irreal. Seus jantares são regados a vinhos, boa gastronomia e tudo isso ao som de música clássica. A questão artística é muito presente, contemplando comentários sobre música, literatura, arte e teatro. Por sinal, a obra toda remete a um grande drama teatral do qual Flannery é a peça principal. Daniel Handler não decepciona ao entregar uma história repleta de camadas, onde o leitor fica envolto a dúvidas e incertezas. Por ser narrado pela perspectiva da protagonista, que chega a admitir ter editado os diários aos quais está transcrevendo, os fatos contados não são confiáveis. O que faz o leitor se questionar a todo momento se as peças recebidas para encaixar esse quebra-cabeça são de fato verdadeiras ou falsas. O livro vai muito além, no entanto, de apenas um mistério sobre como e por quê Adam foi assassinado. A vida e trajetória de Flanerry, e de todo o restante do Clube dos Oitos, são mais importantes do que a motivação do crime em si. Os meses que transcorrem entre os postais apaixonados e o assassinato, contém histórias que envolvem amor, traição, assédio e vingança. As primeiras 100 páginas são uma espécie de apresentação dos personagem e da bolha na qual vivem, então existe um distanciamento e uma certa dificuldade de conexão com a leitura. Mas tão logo a trama passa a se desenvolver e elementos são adicionados a história, é inegável o aumento de interesse. Os assuntos tratados tomam forma e instigam o leitor para ver além das palavras. O primeiro elemento a ser destacado é o consumo de álcool, que embora seja criticado pelos especialistas no livro, é naturalizado por Flan e portanto para o leitor. Precisei parar e rever alguns pontos durante a leitura para entender algumas coisas e perceber o excesso cometido, a presença constante e o quanto pequenas coisas podem passar desapercebidas. A gordofobia também é algo presente, mas de uma maneira muito clara e que permite identificar o caráter distorcido da mesma. Para um livro escrito em 2006, quando infelizmente o assunto era visto apenas como uma piada ou mimimi. Esse aspecto se reduz principalmente a protagonista, como uma forma de diminuição de si mesma. Um dos meus pontos favoritos, afora o humor da narrativa que é delicioso, é a crítica declarada aos "especialistas" e adultos da história. Enquanto o livro se volta para uma grande questão de adolescentes x adultos, onde os dois estão certos e errados ao mesmo tempo, é interessante observar que os comentários de Flannery não se resumem ao aspecto vilanesco atribuído aos especialistas dada a sua situação, mas a uma sátira da sociedade atual. Os ditos especialistas do livro são psicólogos e demais profissionais da mídia que fizeram seu nome em cima de programas televisivos que cobriram a grande tragédia envolvendo O Clube dos Oito. É daí que surge toda a questão satanista, que nunca ocorreu, e que a história se corrompe e é apresentada ao público de uma maneira totalmente distorcida e sensacionalista. A melhor parte disso é que, se olharmos para a mídia e a nossa sociedade conseguimos ver um reflexo perfeito do que acontece no livro. Podemos não ter nosso próprio grupo de adolescentes riquinhos que cometeram um assassinato, mas temos nosso kit gay e o fantasma do comunismo (dentre várias outras coisas). Quanto ao que se refere ao assédio, ele é um tema recorrente do livro a partir de determinado ponto e fica evidente a busca do autor em apresentar mais de uma fase e forma do mesmo, nem sempre vindo do mesmo personagem. Acompanhei algumas resenhas do livro e percebi que existe um certo entendimento de que o tema teria sido banalizado, não concordo. Acredito que Daniel deu evidências do assunto muitas vezes antes do grande episódio, mas que nem todos possam ter visto. Não acho que a atitude da personagem possa ser vista de forma negativa, também, pois nada mais é do que realista. Apontar o dedo para o ocorrido e criticar o autor pela escolha é negar a realidade na qual vivemos, e não farei isso. Por fim, a grande revelação final e que serve para explicar e confundir ainda mais o leitor, fazendo com que seja preciso repensar toda a história (e dê vontade de reler tudo) fecha com chave de ouro uma narrativa que tem um humor sarcástico e muito particular. Gostei do livro mais do que imaginava. O Clube dos Oito foi uma leitura que me surpreendeu, que me fez pensar e ficar brincando de tentar juntar as peças e descobrir onde tudo ia dar. Talvez eu nunca entrasse para o Clube ou fosse uma de suas amigas, mas foi impossível não me apaixonar por sua história. Se eu gostei de Flannery, eu com certeza amei Natasha.

    24 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.2 / 574
    • 5 estrelas9%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas18%
    • 1 estrelas8%
    Daniel Handler profile picture

    Daniel Handler

    Daniel Handler (nascido em 28 de fevereiro de 1970 em São Francisco) é um escritor e cineasta americano. Ele escreveu os romances The Basic Eight e Watch your Mouth. É casado com Lisa Brown, artista gráfica que conheceu na universidade. Originalmente, Handler utilizava o codinome Lemony Snicket ao invés do seu próprio nome na lista de correio de diversas organizações de extrema direita que ele pesquisava para escrever um de seus livros. Isso se tornou uma espécie de brincadeira entre os seus amigos, que costumavam pedir pizzas sob o nome. Como Lemony Snicket, Handler escreve uma série de livros chamada Desventuras em Série, sendo que Snicket faz parte de história assim como seus irmãos e a mulher que amava. Atualmente há treze livros lançados da série, junto com sua "Autobiografia Não

    73 Livros
    1.93 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Daniel Handler