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    as quatro nobres verdades - a origem do sofrimento e o caminho para felicidade

    Lama Michel Rinponche

    sinapse
    2017
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788594312006
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    Este livro é a transcrição de uma palestra de Lama Michel Rinpoche sobre “As quatro nobres verdades”, que foi o primeiro dos ensinamentos dados por Buddha Shakyamuni. Com um estilo simples e adaptado à mentalidade ocidental, Lama Michel apresenta essas verdades ajudando-nos a compreender a origem do sofrimento e o caminho para a felicidade. Ao mesmo tempo, ele nos convida a praticá-las em nossa vida diária para que possamos nos engajar em um processo gradual de autoconhecimento e transformação interior. “É fundamental entendermos que o sofrimento é gerado por um estado interno pelo qual nós somos os responsáveis e ninguém mais.” Lama Michel Rinpoche

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    Bruna Drusian picture
    Bruna Drusian18/01/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Principais partes do livro – as quatro nobres verdades

    Eu copiei ou usei com minhas palavras as partes que fizeram mais sentido de todo o livro. Se pretende ler o livro aconselho o fazer antes de ler este resumo. Nobre é aquele que eliminou a ignorância, saiu do ciclo do Sansara, aquele que eliminou o egoísmo, a arrogância, o apego, a inveja, o ciúme, a raiva e outros venenos mentais, mas antes de tudo a ignorância. Verdade, não significa que todo o resto está errado, mas sim que existem que são vistos por seres nobres de outra forma. A primeira Nobre Verdade: reconhecer e ter consciência do reconhecimento do meu estado presente. Existem 3 tipos de sofrimento: 1- Sofrimento do sofrimento: é o que tradicionalmente chamamos de sofrimento do corpo (dores, sensação de muito calor ou frio, fome, sede, picada de inseto, ...) e da mente (ansiedade, medo, tristeza, rancor, ...) O sofrimento provém do medo, da ansiedade, e de outros sentimentos negativos, além do próprio medo de sofrer, que transforma pequenas coisas em monstros por apenas não querer sofrer, eu vou pré-sofrer por que não quero sofrer. O tipo de solução que precisamos para um sofrimento físico é uma solução física, estou com fome, não vou meditar, vou comer. Muitas vezes buscamos solução física para um sofrimento mental, que pode funcionar momentaneamente, mas logo volta a mesma situação. Exemplo comprar por estar triste, comer chocolate para passar a ansiedade, tentamos eliminar o sofrimento com prazeres sensoriais, bens materiais, massagem no ego. 2- Sofrimento da mudança: qualquer prazer sensorial, material ou reconhecimento de nossa própria imagem trazem um estado de felicidade momentâneo, mas não tem a capacidade de sustentar nossa felicidade. Muitas vezes envolve ilusão pois é a necessidade de possui-los e não de usa-los, porque nada tem a capacidade de sustentar um estado de felicidade constante, um sorvete dá prazer, o segundo não te dá tanto quanto o primeiro e o quinto é enjoativo. Isso não quer dizer que devemos abandonar os prazeres sensoriais, os bens materiais ou o reconhecimento o problema é tomar refúgio nisso e viver para isso, fazer com que isso se torne o objeto de nossa vida. Qual a diferença entre nossa visão e dos nobres para como o sofrimento? Nós tomamos refúgio no que os nobres veem como sofrimento 3- Sofrimento que tudo permeia: refere-se ao fato de não ter por onde escapar. O mundo a minha volta é o reflexo do que está dentro de mim. Somos incapazes de ver o mundo independente de nós mesmos, nossa visão, nossa mente. A segunda Nobre Verdade: Utopia materialista é viver na esperança de que é possível ter verdadeira felicidade e satisfação unicamente através so desenvolvimento material. ”Quando as condições em minha volta forem perfeitas, eu vou estar bem”. Assim as causas do sofrimento são venenos mentais (atitudes internas negativas) e ações (carma). São inveja, ciúme, arrogância apego, raiva, medo, nervosismo, obsessão pela autogratificação, ignorância. Como vou reagir a esses sentimentos negativos – tendo ações negativas e gerando mais sentimento negativo. Esse ciclo é o Sansara, o ciclo do sofrimento. Em 3 objetos que se multiplicam em si sendo 9 (amigo/inimigo/indiferente – aquele que faz bem para meu amigo é meu amigo...) A forma com que vivemos valoriza e enxerga tudo a volta do eu e o meu e o meu se torna extensão do eu e acabamos sofrendo por aquilo. Exemplo: aquela cadeira não é de ninguém, se eu chegar e colocar minha bolsa em cima, já se torna minha. Se alguém senta naquela cadeira o sentimento será de atração, aversão ou indiferença? Aversão porque sentaram na minha cadeira, essa atitude de extensão do eu acaba gerando apego e desejo. O que há de errado com o desejo? Quanto maior o desejo maior o apego, quanto maior o apego, maior a aversão a tudo que vejo como ameaça a minha posse daquele objeto de apego e disso nasce o ciúme. Não há nada de errado com o prazer em si, o problema é gerar a forma de se apegar aos objetos e não querer solta-los. Nesse momento criamos dependência do objeto no qual projetamos nossa felicidade e quanto maior fora dependência maior será a aversão que vamos criar, mas vamos pôr na defensiva e mais vamos sofrer. Somos nós livres? Somos livres para escolher o que queremos (pensar, dizer, agir) porém não podemos desvincular o que fizemos no passado e o que temos hoje é devido a ações do passado e só podemos agir com recursos que geramos até hoje (físico, mentais, materiais, relacionamento, ...) sendo que ficamos presos ao passado, mesmo que livres para agir no agora. É fundamental entendermos que o sofrimento é gerado por um estado interno pelo qual nós somos responsáveis e ninguém mais. Podemos ter condições externas maravilhosas, mas se não estivermos bem com nós mesmos, se tivermos muita expectativa, se estivermos sempre com medo, ciúme, inveja, ... não tem jeito, vamos viver um inferno em sofrimento constante. Eliminando a causa, temos a terceira Nobre Verdade, é ou não é possível ser feliz? 1- Felicidade ou iluminação não é algo que se obtém do dia para noite, é gradual. 2- Não é fácil, mas é possível diminuir a raiva. Assim como e possível desenvolver mais amor, ser mais generoso, diminuir o apego, a inveja. Também é possível aumentar o amor até o amor incondicional. Isso nos mostra que é possível diminuir o sofrimento e é possível desenvolver as causas da felicidade, com amor. É claro para mim que o bom é amar e não ser amado. Ser amado é legal é gostoso, mas depender de ser amado, vou ficar na ansiedade – “O que vai acontecer se essa pessoa deixar de me amar? ”; eu fico carente, me sinto vítima, sofro por aquela pessoa não estar me amando como eu acho que deveria. Já sentir amor traz uma satisfação muito maior, porque não cria dependência, eu não tenho que ficar ansioso. “Porque será que vou te amar? ”, eu te amo e pronto. Amar quer dizer desejar a felicidade do outro, independentemente de onde, com quem e como ele esteja. O amor quanto mais se cultiva, mais cresce. Em Tibetano amar e desejar são diferentes porque o desejo precisa de sua presença junto para que eu seja feliz. A natureza do desejo é começar e depois terminar, porque quando obtemos o objeto de desejo o resultado é a insatisfação. Temos o prazer momentâneo e daqui a pouco ele já não é mais o bastante, precisamos de outro prazer e assim por diante. Quando misturamos o amor e o desejo, sentimos o amor ferido, machucado, por um desejo que não foi satisfeito, essa é a bagunça. O fato é que é melhor amar do que ser amado. O que traz grande satisfação é servir em não ser servido. Humildade é outro sentimento nobre e é nossa capacidade de não nos compararmos a ninguém. Então é possível desenvolver todas as qualidades e é possível eliminar todas as causas do sofrimento, porque nossa natureza é pura (isso quer dizer que temos o potencial e a capacidade de sermos puros), mas nós nunca fomos puros. O fato é que nossa mente é interdependente, ela não existe como uma mente de sofrimento – uma mente ignorante, arrogante, raivosa, apegada- por sua própria natureza, por si só, de maneira independente do resto. É possível transformar por meio de familiarização. Tem que trabalhar, mas é possível. Por isso acreditar em nos mesmos é o que nos mesmos é essencial. O que nos falta muitas vezes não é a fé no caminho, não é acreditar nos ensinamentos, mas sim acreditar em nós mesmos. A quarta Nobre Verdade, que é a verdade do caminho, o remédio. O caminho deve ser seguido assim como o remédio deve ser tomado. É a cessação, eu acredito que posso eliminar o sofrimento ou não? Posso realizar isso, tendo alguém que me guie, segure pelas mãos, me mostre o caminho, porem sabendo que quem precisa andar sou eu? Se eu acredito que posso chegamos a quarta verdade. Ela só vai funcionar sem as três primeiras estiverem bem estabelecidas. Antes de tudo não vou tomar remédio se eu não acreditar que posso me curar de verdade. Se eu reconhecer a doença, abandonar as causas e acreditar no meu potencial de cura, aí sim vou tomar remédios, fazer dieta, fazer os exercícios, tudo o que for necessário fazer. Qual é o caminho para esse processo de cura: 1. Amar a si mesmo reconhecer profundamente aquilo que me faz bem e cultiva-lo e reconhecer aquilo que faz mal e abandona-lo. O que sabemos que nos faz bem e não fazemos? O que sabemos que não faz bem e continuamos a fazer? Amar é desejar a felicidade e amor próprio é desejar a própria felicidade. Temos duas formas de amor: i. Amor simples, comum, passivo: eu te amo e desejo que você seja feliz, mas não farei nada para sua felicidade, não sei nem por onde começar, porém não deixo de te amar. É normalmente o que fazemos por nós mesmos, sabemos o que para ter boa saúde temos que nos alimentar bem, o que fazemos? ii. Amor em ação ou ativo: quero atingir um objetivo, preciso me responsabilizar por gerar as causas para seus objetivos serem atingidos. Amor próprio é quero estar bem, tenho que cultivar o que me faz bem no meu dia a dia, tenho que abandonar o que me faz sofrer não importa o que isso custe. 2. Amar ao próximo 3. Ter a visão correta da realidade São chamados de os três principais aspectos do caminho. Felicidade é um estado interior de equilíbrio, no qual nada que aconteça a minha volta pode tirar o meu equilíbrio e meu bem-estar. O caminho a felicidade é simples, porém não é fácil devido a nossa dificuldade de realizar principalmente a nossa terceira verdade (aceitar a nós mesmos e acreditar no resultado). O caminho da transformação é um caminho que demora por que depende de constância, de repetição. Quanto mais eu faço, mais vou fazer, quanto mais consigo deixar de fazer no momento que eu tenho vontade, mais consigo criar distância, mais vou conseguir deixar aquela atitude. O mesmo acontece para raiva, ciúme, inveja. É um processo de familiarização, de meditação, no qual preciso sentar e observar meus próprios sentimentos. Por exemplo: a raiva: eu deixo que a raiva apareça e então aplico o antidoto, a paciência. Primeiro faço uma meditação analítica, entendo porque a raiva faz mal, porque não devo ter raiva, e depois disso deixo que a raiva apareça; nesse momento aplico o antidoto, e consigo em meditação, deixar de ter aquele sentimento de raiva. Se eu conseguir fazer isso muitas vezes, cada vez mais aquele sentimento de raiva vai mudar. O mesmo posso fazer para desenvolver amor, compaixão humildade. É como se fosse um treino em uma competição, tenho que treinar minha atitude interior várias vezes para conseguir ter a atitude correta quando chegar o momento. Temos vários condicionamentos e tivemos por muito tempo atitudes que geraram sofrimento, por isso o caminho implica em gerar condicionamentos positivos e familiarizar com eles através de um processo que passa pelas etapas de escutar, compreender, meditar, ou seja se familiarizar com o condicionamento positivo para que o sentimento venha de forma natural e espontânea. A meditação quer dizer familiarização, e é através desse processo de familiarização gradual que conseguimos mudar. Em cada pensamento que tenho, cada ação, cada palavra, cada escolha estou familiarizando minha mente de certa maneira, me condicionando. As coisas matérias, ou mesmo as coisas externas a nós é preciso cuidar? Sim claro, mas tudo comparado com nosso estado interior fica em segundo plano. A conclusão é que a responsabilidade pelo nosso bem-estar, por nossa felicidade e por nosso sofrimento, antes de tudo está em nossas próprias mãos, mas devemos usar os recursos que temos para alcançar o objetivo de bem-estar, satisfação e felicidade. Também não podemos esperar dias com condições diferentes para fazermos algo, pois somos nós que criamos esse dia, do contrário ele nunca vai acontecer. Devemos ter tudo que temos de bom, observar e regozijar profundamente e dar mais prioridade aquilo que é verdadeiramente importante. Uma descoberta de Gueshe Thubten Rinchem “passei minha vida inteira pensando que praticada Dharma, quando na verdade não praticava, quando passei minha vida inteira perdido com ocupações mundanas, em vez de olhar para mim com sinceridade e fazer algo para mudar minhas atitudes mais profundas. Eu me perdi nas preces, cerimonias, filosofia e em mil outras atividades, que são maravilhosas – mas não usei esse tempo para verdadeiramente olhar dentro de mim. Agora que estou praticando verdadeiramente, não tenho mais energia e força de antes. Eu vejo quanto tempo passou. Quando eu achava que era um grande praticante, era o meu ego se manifestando, porque na verdade não mudei muito dentro de mim. ” As quatro verdades servem para serem praticadas e não apenas conhecidas. O objetivo de vida poderia ser resumido em desenvolver amor próprio, amor ao próximo e uma visão correta da realidade. Um resumo que vale apena duplicar foi esse que encontrei escrito por Jigme Wangchuck (Leonardo Ota), published on 22 de maio de 2012, no link abaixo tem ela na integra. • 1a. Nobre Verdade – Dukkha – A vida é desequilibrada, fora de prumo, desarmônica; • 2a. Nobre Verdade – Samudaya – a causa deste desequilíbrio são os Três Venenos Mentais (a ira, a cobiça e a ignorância); • 3a. Nobre Verdade – Nirodha – o equilíbrio pode ser restaurado; • 4a. Nobre Verdade – Margha – o equilíbrio da vida pode ser atingido seguindo-se o Caminho do Meio (ou Caminho Óctuplo).

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