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    O Quiasma do Mundo - A questão da alteridade em Merleau-Ponty

    Renato dos Santos

    CRV
    2017
    162 páginas
    5h 24m
    ISBN-13: 9788544419267
    Português Brasileiro
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    Diante da ascensão de regimes totalitários que marcaram o início do século XX, e que insistem em retornar nos dias atuais com o ódio ao diferente, se faz necessário recolocar o problema do outro. Não à toa, tal questão constitui um dos maiores temas da ética e da filosofia política contemporânea, bem como das chamadas “filosofias da diferença”. É neste contexto que a filosofia de Maurice Merleau-Ponty se situa. Pensar uma filosofia que não reproduza uma lógica fundada na centralidade do sujeito, do cogito, é a condição para a relação com o diferente. Não há experiência da alteridade quando a existência do outro depende do poder de constituição do eu. A fim de radicalizar nossa encarnação ao mundo, Merleau-Ponty buscará, na Fenomenologia da percepção, ressignificar a percepção, o sensível e a subjetividade, de modo que a relação com o outro esteja assentada numa dimensão que antecede nosso poder de constituição do mundo. No entanto, é a partir dos anos 50 que o filósofo tentará acentuar a noção de corporeidade, vislumbrando, desta vez, não mais uma relação com o outro face a face, mas o descentramento de ambos diante do surpreendente, do estranhamento que surge do próprio tecido do mundo. Tal perspectiva será fundamentada em suas últimas obras, sobretudo em A prosa do mundo e O visível e o invisível. Entra em cena, agora, o conceito de quiasma, o qual busca explicitar como as coisas, o mundo, o eu e o outro estão entrelaçados por um tecido gestáltico. Não apenas os objetos encontram-se como figuras amparadas sobre um fundo, mas, igualmente, eu e o outro, pois o que essa estrutura revela não é a exclusão de um para o outro, mas o cofuncionamento primordial de reversibilidade que caracteriza tudo aquilo que pertence à carnalidade do mundo.

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