Insects
Publicada pela editora Darkside, “the book of human insects” trata-se dum one-shot dos anos 70. a narrativa lembra os filmes da Nouvelle Vague Japonesa mesclados com os policiais americanos desse período. além de expor uma coleção de perfis psicológicos de personagens inescrupulosos e as consequências das ações duma sociopata capaz de realizar qualquer tipo de crime barato para suprir o buraco negro do seu vazio existencial com a fama, “human insects” reflete também o quadro político e cultural dum Japão que estava em plena ascendência econômica. no início dos anos 70, enquanto Go Nagai e Shotaro Ishinomori, que bebiam duma cena contracultural, estavam criando formatos de gêneros e traços mais rudes, despojados, mesclando cenários hiper-realistas com cartoon, Tezuka continuava com seu estilo delicado, que remetia muito as animações da Disney dos anos 40-50 das quais ele chegou a adaptar em seus primeiros trabalhos. o “estilo tezuka” parecia um tanto defasado para o espírito da época, porém, esse mangá serviu como uma resposta do mestre que não havia ainda perdido a mão. aliás, Tezuka inovou até o seu fim. conseguiu contar histórias atemporais e inovar sem perder as suas principais características, diferente de sua personagem sociopata de “human insects” que tem a facilidade de assimilar e emular as qualidades alheias, mas não consegue desenvolver uma expressão própria, um estilo.
