Uma leitura que demorou mais do que eu esperava. Achei uma boa parte do livro um pouco enfadonha, foi se arrastando e de vez em quando eu parava para ler outros livros. Mas, foi uma leitura que valeu a pena, o autor conseguiu entregar a sua proposta, que foi documentar o viés evangélico em direção a modernidade. Aliás, se houvesse uma edição revista e atualizada dessa obra, acredito que ele usaria o termo pós-modernidade, em vez de modernidade. E uma obra desse calibre, com certeza merece uma edição revista e atualizada, pois, muitos dados e informações estão desatualizados, porque a primeira publicação foi em 1993 e a Editora Vida Nova apenas traduziu, em 1917, essa primeira edição.
Percebemos que a situação que David Wells identificou há quase 30 anos, está mais preocupante nos dias atuais. Já no início, o autor diz: "Observo cada vez com mais desgosto como a igreja evangélica mergulha com alegria em um analfabetismo teológico impressionante." O autor nos apresenta o caminho que a igreja evangélica vinha trilhando, ele diz: "A teologia se transforma em terapia, e todos os sintomas indicadores do modelo terapêutico de fé começam a vir a tona. O interesse bíblico na justiça é substituído pela busca por felicidade; a santidade pela inteireza; a verdade, pelo sentimento; e a ética pelo bom sentimento sobre si mesmo. O mundo se reduz a gama de sentimentos pessoais; a comunidade de fé se reduz a um círculo de amigos pessoais. O passado retrocede; A igreja retrocede; O mundo retrocede. Tudo que permanece é o ego."
Um ponto interessante é que o autor apresenta uma análise que foi feita de duzentos dos sermões pregados na década de 80, para descobrir se eram teocêntrico ou antropocêntrico. A descoberta relacionada com a orientação dos sermões, foi que só 19,5% deles foram fundamentados na natureza, caráter e vontade de Deus. Mais de 80% era antropocêntrico (O homem no centro), voltados para o ego. Fico imaginando quais seriam os resultados se uma análise dessa fosse feita hoje.