O que a falta de comunicação é capaz de fazer! Esse foi o único pensamento que tive ao terminar de ler o livro. Se os dois personagens principais tivessem uma única conversa, toda a trama não existiria. Logo no começo, já recebemos uma noticia que confesso que estranhei. The Rebound não é um livro único. Na verdade é o segundo volume. A autora começou a desenvolver sua ideia, mas chegou um ponto que achou que iria ficar muito extenso, por isso ela dividiu a estória. Então temos um primeiro livro, contando como eles se conheceram, como a relação se desenvolveu até chegar a fatídica noite que os separou. O segundo, The Rebound, inicia-se após dez anos, onde eles se reencontram. Recebi uma ARC digital, onde constavam os dois livros. Mas me peguei pensando como será feito com a forma impressa, se os dois serão condensados para virar um. Achei estranho. Comecei por esse, mas ao final, tive que ler o outro, pois os detalhes iniciais ficam faltando, você consegue entender, mas faltam maiores explicações. Sinceramente, não havia necessidade dessa divisão.
Yardley é a garota nova na cidade. Mudou-se com sua família, pois seu pai acha que esse novo lugar é a chave para seu sucesso financeiro. Nem é preciso dizer que essa mudança não agradou suas filhas adolescentes. Sentindo falta de seus amigos, da sua vida antiga, ela odeia o fato de ser a novata, de chamar atenção. Até que conhece Nevada. O rapaz que praticamente forçou uma apresentação, se tornará um motivo para gostar desse novo local.
Nevada é um rapaz que já passou por várias dificuldades em sua vida. E ainda passa. Mora em um trailer, é pobre, sua mãe se sacrifica para pagar as contas e a única esperança de melhorar de vida é conseguir uma bolsa para a faculdade. Quando conhece Yardley se encanta por ela.
Os dois irão se envolver. Ele, figura constante na casa dela, terá um vislumbre de como é a vida em uma família “normal”. Ela, após muito insistir, conseguirá conhecer a família dele. Duas pessoas com históricos diferentes, com condições financeiras extremas, mas que se amam com intensidade.
Nevada consegue a bolsa, mas pensa em desistir para ficar na cidade, casar e arrumar um emprego. Ela não aceita, pois sabe que essa é a chance da vida dele. Então eles fazem um acordo. Ele irá para a faculdade, eles continuarão a namorar, se falarão diariamente e nas folgas ele virá vê-la. Tudo certo, sem problemas. Até uma noite e um telefonema mudar tudo.
Dez anos se passam. E a vida se encarregou de transformar esses dois. Yardley praticamente parou de viver. Não estudou, enfrentou uma tragédia pessoal, viu sua condição financeira mudar, não tem amigos, se fechou para o mundo e vive chorando pelos cantos por não se conformar por ter perdido Nevada. Me irritou profundamente essa personagem. Entendemos que você ama o rapaz, mas passar dez anos como zumbi já é demais.
Nevada também mudou. O garoto pobre agora é um astro do basquete. Famoso, rico, viúvo e com duas filhas pequenas. Tentou construir uma nova vida para si, mas nunca foi capaz de esquecer a dor que seu único amor causou. Achei a situação dele mais realista. Ele teve uma decepção, sofreu, conheceu alguém que era o completo oposto, se apaixonou e construiu uma família.
Agora de volta a sua cidade natal, é impossível não cruzar com Yardley. Gostei mais dele do que dela. Ela com esses constantes lamúrios me encheu. A inserção da esposa dele foi compreensível, mas desnecessária. Ele mesmo menciona que a amou, não tanto como Yardley, mas amou. Porém não acredito. Acho que foi mais uma atração por alguém que era diferente do que ele associava com más lembranças. E matar a coitada para justificar sua volta foi um tremendo mal gosto. Era só não casá-lo e pronto. Seria mais coerente com esse louco amor.
The Rebound então mostra esse reencontro entre os dois. Ele nem quer ouvir falar dela, não suporta sua presença. Ela fica toda feliz ao saber de sua volta. Ele evita a todo custo esbarrar nela e quando isso ocorre ele é rude. Ela acha que ele retornou por causa dela. A vida dele sofreu uma reviravolta. Ela parece que acordou para a vida. E essa contradição dura por toda a obra.
O que move o livro é esse segredo em torno dessa noite. Conforme eu lia, mais curiosa eu ficava. Gostei dele se ajustando a sua nova realidade, de mostrar como é difícil uma pessoa comum ficar famosa e depois de se aposentar tentar se ajustar ao anonimato novamente. Interessante também a situação com os amigos de escola. Não tinha como retomar a amizade do ponto de partida, quando todos tomaram rumos diferentes. Ele com sua família e suas filhas também foi divertido. Mostrou que aquele rapaz do passado ainda estava escondido dentro dele.
Yardley conforme já citei, não me agradou. Sua presença forçada na vida dele foi demais. O fato de ela achar que ele comprou a propriedade para ela foi sem noção por parte dela. A impressão que tive era que ela vivia no mundo da lua na maior parte do tempo.
E quanto ao tão falado segredo? Dá para adivinhar ao longo da leitura. Não com todos os detalhes, e quando você descobre faz sentido. O que não faz sentido é a reação de ambos. Como assim ele acredita no telefonema de outra pessoa? Quem em sã consciência não iria atrás da verdade. E simplesmente não responder as tentativas de contato de sua namorada realmente é a melhor saída. Poupe-me. Ela por sua vez, acho que foi o único momento que simpatizei com a personagem. Ela realmente teve que lidar com uma situação difícil. As circunstâncias que ela se encontrou foram tristes. Mas mesmo assim ela errou. Como você aceita esse tipo de acordo e não comunica seu namorado? Surreal ao extremo. No mínimo, os três deveriam sentar e conversar.
Gostei do começo da estória, não gostei do que ela se tornou no presente, adorei Nevada, e achei o segredo sério, mas a forma como repercutiu muito idiota. Pessoal, conversem. Um bom livro, com algumas irregularidades, mas que não compromete o conjunto da obra.