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    Pró ou contra a bomba atômica (Biblioteca Antagonista #19) -

    Elsa Morante

    Âyiné
    2017
    204 páginas
    6h 48m
    ISBN-13: 9788592649241
    Português Brasileiro
    3.4
    12 avaliações
    Leram13Lendo1Querem26Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos0Desejados26Avaliaram12

    No prefácio a este impressionante Pró ou contra a bomba atômica, da escritora italiana Elsa Morante, o pesquisador e tradutor Davi Pessoa chama a atenção para o quanto essa reunião de textos-ensaios se cumpre, politicamente, a partir de um emaranhado em potência contra um sistema da desintegração. Elsa é um caso singular entre ação livre e invenção severa de escrita e pensamento, porque imagina mundos que ainda podem advir da literatura exatamente quando a projeta como forja e mistério. Tal como diz Giorgio Agamben ao sugerir que para ela, na literatura, a vida se apresenta misteriosamente. É o que se infere, por exemplo, em seus livros L’Isola di Arturo (1957) ou La Storia (1974), que podem ser lidos como uma espécie de estocada em torno da desumanização [que não é tratada como um tema nem com doses sentimentais próprias do que impera midiaticamente ao nosso redor], mas quando a felicidade, este tema sério e a sério, acontece como uma paródia e como um limbo. É a experiência da ficção-crítica levada ao extremo da fabulação, procedimento também caro a Pasolini, um melhor entre os amigos, e a Alberto Moravia, companheiro de uma vida quase-inteira. O empenho de Elsa para com o despojamento da ficção ao gesto de repetir até tocar um diferimento para o incomum, o ensaio, nesta reunião publicada dois anos depois de sua morte, em 1987, desfaz os termos, os conceitos, a fragilidade dos gêneros, e reabre um apontamento acerca disso que insistimos, com todo teor conservante, em chamar de contemporâneo. Diz ela: “As classes dirigentes contemporâneas, penosa expressão da cultura pequeno-burguesa, batem verdadeiramente o recorde da diminuição humana: conciliando, ao mesmo tempo, a frustração do erotismo e o sono da razão.” E vale muito o esforço expandido, também político para publicar este livro no Brasil diante de tantas afirmativas óbvias que o recusaram. Ao lê-lo, com vagar e a fundo, entende-se bem alguns motivos. Um deles é que onde prolifera pensamento não brota o romancezinho ou o criticozinho. Agora temos finalmente circulando entre nós este livro urgente.

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    Berttoni Licarião24/04/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Rogo para que as senhoras e os senhores prestem atenção nesta nova editora que eu nem sei como pronunciar o nome mas que já mora no coração: Âyiné. Parem tudo o que estiverem fazendo e deem uma olhada no catálogo deles. Experimentem ler a sessão Quem somos? do site. Futuquem os próximos lançamentos. Ainda não se encantaram? Pois então acrescentem ao já-visto sua identidade gráfica charmosa, as traduções primorosas, os preços simpáticos, o formatinho de bolso e, voilà!, alguém mais apaixonou? . Declarações de leitorstalker à parte, os sete artigos reunidos em "Pró ou contra a bomba atômica" foram publicados entre 1950 e 1965 e versam de maneira geral sobre o papel da arte e sua relação com a realidade. O estilo quase-aforístico da autora garante uns quantos grifos inspiradores, sobretudo no texto "Sobre o romance" (um dos mais longos do livro), no qual responde a um inquérito sobre as principais inquietações de críticos e romancistas nas décadas de 40 e 50 (a crise do gênero, o realismo socialista, o uso de dialetos no romance, etc.). Não vá, no entanto, o leitor instagrâmico concluir daí que os textos da italiana sejam datados e pouco úteis: como adverte o tradutor Davi Pessoa Carneiro, neles "se escutam vozes que participaram de crises vividas em momentos de incertezas" (p.25). Haverá alguém aí incapaz de enxergar nosso presente em semelhantes termos? . Ao versar sobre o papel social do romancista e da arte, Morante defende—numa das passagens mais bonitas—que o valor de uma obra está atrelado à sua verdade. Isso provoca um "aumento de vitalidade" porque a finalidade da arte é a "renovação perene da realidade". Por isso mesmo é que a verdadeira obra de arte "é sempre revolucionária" e, em contrapartida, "todos os reacionários de qualquer partido preferem a arte falsa, a qual não provoca nada além de um bem-vindo sono da razão". O caráter subversivo e inquietante da verdade poética "perturba todos aqueles que queriam, finalmente, fixar o mundo num esquema definitivo". (p.116) . Alguém mais sentiu o choque de realidade?

    2 curtidas

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    Avaliações

    3.4 / 12
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas0%
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    Elsa Morante

    Elsa Morante era uma romancista italiana, mais conhecida por seu romance <i>A história</i>, que aparece na Biblioteca Mundial Bokklubben, é uma lista dos cem melhores livros de todos os tempos. Elsa casou-se com o escritor Alberto Moravia em 1941 — o casal viria a se separar em 1962, sem jamais se divorciar — e encontrou por seu intermédio muitos dos pensadores e escritores italianos da época. Durante a guerra, ela acompanhou o marido no exílio de 1943 a 1944. Publicou seu romance Menzogna e sortilegio em 1948, obtendo o prêmio Viareggio; mais tarde, foi laureada do prêmio Strega com seu romance L'isola di Arturo, em 1957. Em 1984, recebeu o Prêmio Médicis por Aracoeli. Ela morreu em Roma em 25 de novembro de 1985.

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    Elsa Morante