Uma colcha de retalhos conceituais
O livro da desembargadora Naele Ochoa Piazzeta é uma grande decepção. A autora pretende operacionalizar conceitos que não domina e que são, em grande parte, inconciliáveis. É inexplicável a retomada da Criminologia Positivista (lombrosiana) em pleno século XXI sem qualquer crítica ou ponderação, assim como o é a tentativa, sem nenhum sentido, de fazer convergir campos tão distintos quanto a Psicanálise freudiana e a Neuropsicologia. A conciliação entre o atavismo lombrosiano e uma dúbia imutabilidade do "caráter" (conceito que a autora não referencia nem explica) é constrangedora. Sua escrita é prolixa, envereda em aspectos marginais das teorizações que aborda. Por fim, o uso exaustivo de algumas poucas fontes (Adrian Raine e António Damásio, por exemplo) e a insistência em publicações já ultrapassadas, fazem do livro uma grande colcha de retalhos, que inclusive termina sem uma conclusão útil.
