Eu estava super curiosa para ler esse livro desde que soube que seria lançado. Foi uma leitura bem diferente do que estou acostumada, me surpreendi bastante.
"O que tinha acontecido com a minha vida? Eu não sabia a resposta."
Eric Shimura é agente policial e faz parte da equipe de inteligência. Após solucionar casos importantes, acabou recebendo uma fama indesejada e o apelido de Agente Ninja, pela sua aparência de descendente de japonês. Devido a acontecimentos do passado, que fizeram com que se afastasse de sua família e suas origens, ele odeia tudo que seja relativo ao Japão e só quer que sua vida volte ao normal. No entanto, seu chefe Tom parece decidido a não deixar seu nome sair da boca do povo, e Eric acaba sendo escolhido para uma investigação internacional sobre tráfico humano, relacionado ao desaparecimento de garotas brasileiras, e que pode ter relação com a máfia japonesa, a tão conhecida Yakuza. É o maior caso a que Eric foi designado, mas ele não sabe até que ponto deseja se envolver.
"— Bom, minha mãe me ensinou uma coisa, Eric: você não é responsável se não tiver conhecimento do que acontece, contudo, se você descobrir a verdade e não fizer nada, então você é tão culpado quanto os demais."
Paola Manzoni é uma hacker muito boa em burlar a lei e acabou de conseguir o que pode ser o melhor trabalho da sua vida. No entanto, será também o mais arriscado. Dessa vez ela precisará infiltrar-se no departamento de polícia como secretária, para conseguir monitorar de perto o andamento da mais nova investigação da equipe de inteligência, a Operação Shanghai. Para completar, seu principal alvo é o próprio Agente Ninja.
"(...) mas eu tinha aprendido com a vida que, em casos extremos, devemos nos manter frios e raciocinar rápido. Ser tomado por emoções só atrapalha."
Eric não vai com a cara de Paola quase instantaneamente. Ele desconfia o tempo inteiro, então ela precisa ter uma abordagem cuidadosa para não levantar suspeitas do restante da equipe e alcançar seu objetivo. Mas conforme as investigações avançam, ambos vão notando a dimensão do problema em que foram metidos e precisam repensar seus papéis, pois aos poucos percebem que podem ter tomado algumas decisões erradas. Assim descobrem que talvez seu inimigo seja seu melhor aliado e que nunca dá para fugir do passado.
"E eu estava gostando da ideia de ser o parceiro dela. O que será que o futuro nos traria? Querendo ou não, nós ainda parecíamos estar em lados opostos no campo de batalha. Lados opostos com um objetivo em comum. O que viria depois?"
Eric é um policial certinho, que gosta do que faz e é muito bom nisso. Mas era feliz trabalhando na anonimidade e anda insatisfeito com tanta atenção. É acostumado a ser solitário, pois se afastou da família há muitos anos e prefere não lembrar do que causou isso. Paola também é solitária, mas por motivos diferentes. Também por rancores antigos, decidiu ser uma fora da lei em tempo integral. Os dois são personagens muito carismáticos e misteriosos, que formam aquele casal típico que começa se odiando, mas todo mundo sabe que isso é só até rolar o primeiro beijo. Suas histórias foram bem construídas e as autoras fizeram um excelente trabalho de criação com os personagens secundários também, que são envolventes — só peguei um certo ranço da Alice e do Guilherme, os outros agentes do setor de Eric. haha
"Amar, de fato, era curioso. Causava-me arrepios e, ao mesmo tempo, me dava forças para continuar."
Por algum motivo, eu achava que esse enredo se passava no Japão, então imagina meu espanto quando descubro que é em São Paulo. hahaha Mas achei bem interessante que, apesar de se passar numa cidade conhecida por nós, o nível de referências nipônicas é altíssimo, inclusive no vocabulário. Mas as autoras não nos deixam nem um pouco perdidos, porque tudo tem uma nota que explica o significado. Achei muito legal elas terem pensado com tanto carinho nos leitores que não sabem nada do Japão. hahaha Esse foi o livro de investigação policial mais diferenciado que já li. Tem sim cenas de tensão, pois aborda as questões de tráfico humano e máfia de forma suficiente a nos fazer refletir, porque é um assunto bastante sério. No entanto, também é um livro de comédia, e eu me pegava rindo a todo momento, de coisas bem bobas. Adorei como elas conseguiram construir essa história entremeando situações pesadas com outras tão engraçadas, o que tornou a leitura muito gostosa.
"(...) compreendi que chorar não era ruim, apenas aliviava o sentimento pesado dentro do peito."
A narrativa é em primeira pessoa e os capítulos se revezam entre o ponto de vista de Eric e o de Paola. Uma curiosidade é que a Malu escreveu a parte do Eric e a Letícia a parte da Paola, mas a história não deixa nenhum furo, no capítulo seguinte a gente sempre sabe o que estava se passando na cabeça do outro personagem. Essa foi outra coisa que achei muito interessante durante a leitura.
Como eu li o e-book, não posso falar muito da diagramação, só afirmo que o e-book foi super bem pensado para agradar ao leitor. Mas na página do Facebook de Operação Shanghai as autoras compartilharam várias imagens e deu para ver que o livro está lindíssimo, cheio de detalhes.
Foi um livro agradável, que me prendeu e me surpreendeu muito. Posso dizer que é um estilo que pode cativar diversos públicos e as autoras souberam dosar bem o quanto de mistério colocar e o tempo para ir revelando-os, ao ponto de não deixar o leitor ansioso ou entediado. Recomendo muito a leitura!