Stan Lee e Steve Ditko foram responsáveis pela criação do Espetacular Homem Aranha. Essa dupla provou ser incrível, por muitos anos. Mas com Doutor estranho, a história é um pouco diferente. Foi Ditko que, praticamente sozinho, trabalhou nas fases iniciais do mestre das artes místicas, ou da magia negra, como foi inicialmente chamado.
Ele tinha um rascunho pronto para a primeira história do mago, que Stan Lee supervisionou para ser publicada em uma série vigente chamada de “Strange Tales”, uma coletânea de histórias de personagens que não tinham uma série própria, como o Tocha Humana, o coisa e Nick Fury, estrelando histórias de suspense, ficção científica, thriller de espionagem ou misticismo. Após um retorno positivo dos leitores, de sua história experimental, Stan Lee julgou prudente dar segmento às histórias do Estranho. Eles contaram a sua origem e exploraram uma gama de vilões, que até hoje permanecem como oposição ao mago.
Infelizmente, Ditko, por não ter o devido crédito como criador do Doutor Estranho e por algumas rixas com Stan Lee, acabou saindo da Marvel. Mas não sem antes se aventurar em terras desconhecidas e mundos sem fim do mago supremo. De 1963 até 1966, definiu o Estranho que conhecemos até hoje, com seu manto de levitação e o olho de Agamotto. Introduziu Pesadelo, Barão Mordo, Clea, Dormammu e a enigmática entidade mencionada como Eternidade histórias incríveis e desenhos surreais. Por mais que ele deixou a Marvel por seus motivos, encerrou seu período da melhor maneira possível. O fim da “saga da eternidade ” foi incrível.
Tem somente uma coisa, algo sobre os quadrinhos antigos, que me pega muito. Há um excesso de texto em toda a obra. Parece que estamos lendo uma “áudio-descrição” da obra, pois tudo é relatado em texto, mesmo que o desenho já conte, o que causa um cansaço no leitor. É desgastante ter uma cena de luta narrada pelos dois lados, explicando cada movimento e ação, quando se tem um desenho que já faz esse papel. Entendo que é algo que ficou datado, mas essa é minha única reclamação. O Ditko entregou muito mais para se elogiar do que reclamar. Foi um gênio.