Épico de Gilgames -

    Anônimo

    Paulus
    2017
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9789723719116
    Português

    Geralmente considerado o mais antigo poema longo a chegar até aos nossos dias, este épico da Mesopotâmia tem uma história de cerca de 4.000 anos. Fala dos fascinantes e comoventes feitos heróicos de Gilgames e da sua busca solitária da imortalidade. A presente edição apresenta aos leitores portugueses uma tradução erudita, assinada por Francisco Luís Parreira, com introdução, aparato crítico e glossário. "Aquele que testemunhou o abismo, as fundações da terra, experiente de caminhos, em tudo era sábio! Gilgameš, que testemunhou o abismo, as fundações da terra, experiente de caminhos, em tudo era sábio! Aonde estavam os poderes, foi averiguá-los, de cada coisa extraiu um ápice de sabedoria. O que era secreto encarou, o oculto trouxe à luz: resgatou a memória de antes do Dilúvio."

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Virgínia picture
    Virgínia30/06/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Épico de Gilgamesh

    Numa era onde os retellings de histórias que compõem certas mitologias (sobretudo mitologia grega e egípcia) se tornaram sensação, a Mesopotâmia e o seu legado cultural ainda são bastante desconhecidos do grande público. Apesar de ser uma perda nesse sentido, é também a oportunidade perfeita para procurar os textos originais e assim conhecer um mundo novo e intrigante. De facto, a Mesopotâmia é bastante esquecida no que toca aos manuais escolares o que por si leva ao desconhecimento geral de uma área incrivelmente rica. Eu própria só descobri essa área (e, consequentemente, me apaixonei) no mestrado. Agora que me encontro na reta final, e tendo em conta que a minha especialização é precisamente na Mesopotâmia, achei que era uma falha grave da minha parte e uma mancha no meu currículo ainda não ter lido uma das histórias mais famosas aí produzidas. Naturalmente, falo do Épico de Gilgamesh. Talvez os fãs de animé já tenham ouvido falar do nome de Gilgamesh, já que este é uma personagem de grande relevo na franchise Fate. O grande desafio desta empreitada prende-se inevitavelmente com a tradução. Afinal, há muitas traduções por aí, em várias línguas, pelo que encontrar uma tradução que respeite ao máximo a integridade do texto, para além de não ser maçante com as notas de rodapé como, por vezes, os trabalhos académicos tendem a ser. Como podem verificar, é um desafio. Nesse aspeto, posso dizer que a tradução de Francisco Luís Parreira cumpre os requisitos acima mencionados: não só traduz o texto retirado do material arqueológico encontrado à data da publicação, como explica em notas de rodapé e notas informativas uma parte ou palavra que possa suscitar dúvidas aos leitores. A acrescentar a isso, o tradutor faz igualmente uma introdução, informando sobre a origem do texto, a sua composição e as alterações que poderá ter sofrido no decorrer da História. Pessoalmente, é sempre um ponto positivo, pois leva-nos a pensar na história de forma diferente. Apenas é requerido do leitor que tenha uma certa abertura mental para, em certos momentos, andar para trás e para a frente a ler as notas do tradutor. Quanto ao épico em si, fiquei completamente fascinada. O Épico de Gilgamesh pode ter mais de quatro mil anos, mas a sua história ainda ressoa nos dias de hoje. Gilgamesh, o nosso herói, é um semideus, tendo até uma composição bastante específica: dois terços divino e um terço humano. Por conta disso, ele é detentor de imensa força. Filho do mítico rei Lugalbanda, ele governa a cidade de Uruk tal qual o seu pai, porém ele não se encontra satisfeito com essa vida. Como todos os heróis, ele anseia pela glória que apenas a luta armada lhe pode conferir. Portanto, servindo-se do seu estatuto como rei, Gilgamesh tiraniza as pessoas, buscando incessantemente alguém que possa servir como seu par. Ao ouvir as constantes súplicas do povo, os deuses decidem então criar Enkidu, a fim de servir como seu par e com isso acalmar os seus impulsos. É o encontro entres dois e a sua amizade que impulsionará os acontecimentos do épico. Muito já se escreveu sobre a exata natureza da sua relação: seriam Gilgamesh e Enkidu só bons amigos ou seriam antes amantes, à semelhança de Aquiles e Pátroclo? Pessoalmente, estou mais inclinada para a segunda opção. Há momentos entre os dois que, a meu ver, roçam o amor romântico. No entanto, outras interpretações também são válidas. O épico aborda temas como a glória trazida pelas armas (porque esse era o ideal à época), o nosso legado, a confrontação com a nossa própria mortalidade e o amor que pode existir entre duas pessoas. É uma história fascinante que nos mostra as alegrias e os dissabores de se ser humano; tudo demonstrado através da relação entre Gilgamesh e Enkidu. É uma história ainda tão atual e pujante, que merece um maior reconhecimento por parte do grande público.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 2
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%