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    O Inominável -

    Samuel Beckett

    Nova Fronteira
    1989
    137 páginas
    4h 34m
    ISBN-10: 8520901409
    Português Brasileiro
    3.7
    5 avaliações
    Leram7Lendo1Querem12Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados12Avaliaram5

    Esta obra escrita em 1949, é o último romance da 'trilogia do pós-guerra' beckettiana, formada ainda por Molloy (1947) e Malone (1948). Ser do pós-guerra e ser beckettiana determinam as características particulares da trilogia, e em especial de 'O inominável.' A obra de Beckett nasce em pleno 'pesadelo da história' que refere Joyce (de quem Beckett foi secretário particular). Neste caso, um denso pesadelo de meio século, começando pela noite escura da I Guerra, passando pela Grande Depressão e o nazifascismo, para atingir seu auge na noite ainda mais negra da II Guerra (da qual Beckett participou junto à Resistência Francesa). É a impossibilidade, ou seja, a falência da linguagem em dar conta de uma realidade inominável, que está na origem dos silêncios significantes de Beckett em seu teatro. Em seus romances, porém, Beckett adotaria uma estratégia linguística oposta. Falaria - ainda que sobre a impossibilidade de dizer. Se o vazio do mundo não permite dizê-lo, o vazio de si não permite calar-se. No caminho contrário do silêncio significativo de seu teatro, trata-se, nos romances de Beckett, de um ruído (quase) significante. A verdadeira 'ação', em todo caso, está aqui na própria linguagem - ainda que se trate de fazê-la comunicar a incomunicabilidade moderna.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Fábio Filho picture
    Fábio Filho26/11/2024Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Delirante. Talvez demais

    Esse é o terceiro e talvez pior livro da "trilogia" de Beckett. Depois de ler Molloy e Malone Morre experimentei uma curiosa surpresa de gostar de uma literatura "moderna", acho que é essa a definição. Numa analogia, senti que, em termos de pintura, seria para um amante de paisagens e imagens realistas entender e apreciar um Dalí. Acontece que em O Inominável esse "modernismo" vai bem além. Talvez até demais. Você consegue perceber que o autor é extremamente habilidoso no uso das palavras. Numa leitura desatenta grande parte do livro vai parecer uma torrente de palavras sem sentido, mas, com calma e atenção, você sente entender o raciocínio do autor na forma que ele usa e brinca com as palavras. É estranho porque, mesmo com muita calma, o texto propositalmente continua confuso, mas tem uma racionalidade por trás. Em alguns momentos é quase uma poesia em prosa. Perceber isso me pareceu apreciar um livro por ser bem escrito mais do que contar uma boa história, e ru nunca gostei de apreciar "a arte pela arte". Também é interessante que entre um delírio e outro o autor solta várias críticas e questionamentos bem profundos sobre a vida, a existência, a morte, o sofrimento, os sentimentos, os sentidos... Indico ler esperando godot antes de o inominado. Se nao tostar de godot, nem venha para este. Se gostar, este é ainda mais delirante.

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    3.7 / 5
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas20%
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    • 1 estrelas0%
    Samuel Beckett profile picture

    Samuel Beckett

    Samuel Beckett é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas. Beckett nasceu numa família burguesa e protestante, e em 1927 graduou-se em literatura no Trinity College de Dublin, onde estudou também italiano e francês. Em 1928, foi lecionar em Paris, onde conheceu James Joyce, de quem se tornou amigo. Durante o ano de 1930 Beckett lecionou na Irlanda. Nessa época escreveu o estudo crítico "Proust", comentando a obra do grande escritor francês. No ano seguinte Samuel Beckett fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela, "Dream of Fair to Middling Women", que seria publicada somente depois de sua morte. Em 1933, voltou a Dublin, por motivos familiares, mas retornou a Paris em 1938. Nessa época, levou, de um estranho, uma facada no peito e ficou gravemente ferido. No início da Segunda Guerra Mundial, Beckett vinculou-se à Resistência Francesa, juntamente com sua esposa, Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Em 1942 foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu parte da novela "Watt". A partir de 1945, o seu idioma literário passou a ser o francês. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia ("Molloy", "Malone Morre" e "L'Innommable"), cujo tema é a solidão do homem. Com "Esperando Godot", Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do absurdo. Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas, diversas peças teatrais, como "Fim de Festa", "Ato sem Palavras" e "Os Dias Felizes". Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a vida escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Samuel Beckett morreu em 1989, cinco meses depois de sua esposa. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse.

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    Samuel Beckett