A Mente Naufragada - Sobre o espírito reacionário

    Mark Lilla

    Record
    2018
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: B07B1F2W81
    Português Brasileiro

    Em A mente naufragada, Mark Lilla procura entender melhor os dramas ideológicos do século XX. O reacionário, segundo Lilla, é tudo menos um conservador. Trata-se de uma figura tão radical e moderna quanto o revolucionário, e seu engajamento político também é motivado por ideias muito bem desenvolvidas. No entanto, o reacionário é uma espécie de náufrago em um presente em constante mudança, que sofre com a nostalgia de um passado idealizado e com o medo de que a história esteja no rumo da catástrofe. Por meio de uma análise das ideias de importantes intelectuais e do exame do poder duradouro que grandiosas narrativas históricas tiveram em moldar resultados políticos desde a Revolução Francesa, o autor nos mostra como tais narrativas são empregadas na produção intelectual reacionária, e nos ajuda a entender por que a nostalgia por uma época de ouro perdida se transformou em uma arma potente nos dias atuais.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (4)Ver mais
    Gabriel Matos picture
    Gabriel Matos03/01/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Quando pensamos no espectro político, sabemos dizer o que significa revolucionário, reacionário, conservador, as múltiplas faces da esquerda e o que realmente seria a Direita política? Ou talvez, que essas nomenclaturas não fazem o menor sentido? Mark Lilla é um liberal norte americano. Liberal aqui, significa na melhor das hipóteses a esquerda comprometida com a eterna mudança, algo lá de Heráclito de Éfeso, que assume posicionamentos Hegelianos e Marxistas como o constructo mais eficaz para entender a realidade e que curiosamente, busca fazer exercício para não cair no relativismo nem no niilismo. É uma esquerda que busca objetividade ao invés da desconexão com o real pós-estruturalista. Seu mérito encontra-se justamente na auto-crítica que faz à esquerda norte-americana entendendo que ela está mais próxima do reacionário do que o que a esquerda propriamente dita. Por reacionário ele entende que é alguém que coloca na nostalgia sua esperança política e faz de tudo para voltar a tempos imemoriais extremamente romantizados. Em contrapartida, o revolucionário vive no futuro e é avesso a qualquer estrutura do passado e presente. Seu conhecimento do assunto assusta em alguns momentos, quando coloca dialogando Alasdair Macintyre com pensadores judeus da escola de Frankfurt, a neo-ortodoxia protestante de Karl Barth, o Catolicismo de Henry de Lubac e Urs von Balthasar, com os clássicos gregos. É digno de nota seu estilo narrativo somado àquele espírito incendiário e humor ácido embebido de conspiração que torna a leitura instigante e não cansativa. Lilla odeia a lei que reprime, mas busca não desesperar-se ao constatar que a busca pela liberdade apenas destruiu qualquer esperança do homem em dias melhores. Especialmente na parte “de Lutero ao Walmart” a leitura é indigesta, pois existem poucas verdades e muitas críticas sem nenhuma técnica à religião, por causa da sua lente Hegeliana. Para um cristão fica evidente que a leitura de Paulo que Lilla e seus influenciadores fazem é tendenciosa e completamente ignorante. Seria como ler Marx e usá-lo para defender o capitalismo. Mark Lilla demonstra aquela falta de honestidade nesse assunto por defender uma hermenêutica do tipo “esse texto diz isso, mas quero entender aquilo” típico da Teologia Liberal. Lilla, é ótimo para encontrar culpados e razões para problemas do nosso tempo porém sempre será um desastre na hora de procurar soluções ou concluir categoricamente verdades sem oprimir alguém. O livro termina de forma desesperançosa e caótica, pela honestidade do autor de reconhecer que diante do “fracasso” da religião, da razão e do sentimentalismo das cosmovisões apocalípticas ou nostálgicas dos movimentos sociais e políticos, não devemos naufragar em nenhuma delas. Sim, o livro começa muito bem, tem insights interessantes, mas termina como um coitus interruptus. Exatamente uma manifestação do que é - e sempre será - o pensamento de esquerda.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 37
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas22%
    • 3 estrelas41%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas5%