Para a reconstrução do materialismo histórico (Habermas #1) -

    Jürgen Habermas

    Unesp
    2016
    508 páginas
    16h 56m
    ISBN-13: 9788539306244
    Português Brasileiro

    Durante os anos 1970, Jürgen Habermas trabalhava na reconstrução do materialismo histórico. Para um dos principais filósofos da atualidade, isso significa compor e recompor a teoria em uma nova forma para que ela possa cumprir o objetivo proposto. Ou seja, extrair, após revisar suas premissas, o potencial que as ideias marxianas ainda carregam de explicar a sociedade, sua dinâmica e transformações. Oferecendo uma forma específica de pensar o materialismo histórico, este livro constrói novas perspectivas em relação ao estágio moderno do capitalismo e suas crises, ao mesmo tempo que vislumbra possibilidades reais de uma vida em sociedade mais democrática e emancipada. Habermas começa com uma discussão sobre o papel da filosofia no marxismo, alertando como “é tão perigoso permanecer melindrosamente no medium da pura filosofia quanto, de outro lado, renunciar em geral à reflexão filosófica em favor da positividade científica”. Em seguida, esclarece algumas homologias estruturais que existem entre história da espécie e ontogênese. Na terceira parte, indica os limites da teoria da evolução social. Na quarta, discute se no Estado moderno também as legitimações não podem ser ‘obtidas’ de maneira arbitrária. Preocupado principalmente com a tradição filosófica em torno do materialismo histórico, Habermas agrega outras esferas sociais em sua análise, em especial o domínio público de legitimação, não permanecendo focado apenas na dimensão econômica. No processo de reconstrução, o conceito de modo de produção é substituído pelas categorias mais abstratas de trabalho e linguagem, já que a relação entre infraestrutura e superestrutura não é suficiente para explicar o capitalismo tardio. “Chega-se, assim”, como se lê na apresentação à edição brasileira, “a uma das teses mais fortes do livro: a de que o emprego de novas forças produtivas somente é possível se acolhidas primeiramente em novas formas de integração social e que as estruturas normativas que essa integração implica podem levar a uma nova etapa de desenvolvimento social”.

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    Cleo29/10/2025Resenhou um livro
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    Para a Reconstrução do Materialismo Histórico - Jürgen Habermas.

    Publicado originalmente em 1976, Para a Reconstrução do Materialismo Histórico é uma das obras mais importantes de Jürgen Habermas, na qual o autor propõe uma atualização crítica da teoria marxista à luz das transformações sociais e teóricas do século XX. Seu objetivo é repensar os fundamentos do materialismo histórico, deslocando o foco da produção econômica para a comunicação e a ação intersubjetiva como bases da vida social. Habermas busca superar os limites do marxismo tradicional, argumentando que a emancipação humana não pode se restringir à esfera do trabalho e da economia, mas deve incluir também a dimensão simbólica da comunicação e do entendimento mútuo. Assim, ele introduz sua concepção de ação comunicativa, que se tornaria central em sua obra posterior, propondo que o consenso racional e o diálogo livre de coerções são os fundamentos de uma sociedade verdadeiramente democrática. A obra discute ainda a crise das teorias da modernidade e as dificuldades enfrentadas pelo marxismo diante da complexidade das sociedades contemporâneas, marcadas pela tecnocracia e pela racionalização instrumental. Habermas propõe, então, uma reconstrução que mantenha o potencial crítico do materialismo histórico, mas incorporando as contribuições da filosofia da linguagem, da sociologia da comunicação e da teoria da ação. Com linguagem densa e rigorosa, o autor formula uma nova base para a crítica social, em que a racionalidade não é apenas instrumento de dominação, mas também possibilidade de libertação, desde que voltada ao entendimento e à participação democrática. Em síntese, Para a Reconstrução do Materialismo Histórico é um marco no pensamento habermasiano e na teoria crítica contemporânea. É uma leitura desafiadora, mas essencial para compreender a transição da Escola de Frankfurt clássica para uma teoria da comunicação e da democracia deliberativa, que redefine o papel do sujeito e da razão na modernidade.

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