"Contando Azulejos" reúne diversos escritos literários da autora que podem ser lidos como breves contos - ou ainda microcontos. São textos enxutos, histórias pequenas, narrativas escritas em poucas linhas que relatam o trivial, o comum, o cotidiano e até mesmo o banal, em situações que ao considerar o contorno dado pela escrita da autora ganham todo um significado próprio, uma espécie de encanto que é percebido apenas e tão somente quando retratado pelo olhar do artista. É assim que as curtas prosas são lidas pelo leitor, que percebe a importância e o quanto há nas pequenas coisas.
Nas pouco mais de 200 páginas do livro estão presentes os diversos contos que o compõem, a maioria não passando de uma página - daí serem microcontos e curtíssimos contos. Dentre as histórias tantas há aquela em que o cheiro de milho no interior de um ônibus causa constrangimento para um passageiro (Milho verde"). Também é contada a história daquela pessoa que em frente ao espelho se vê e se sente de forma diversa da qual é enxergada por todos, enfrentando assim a angústia pelo não reconhecimento ("Sombras"). Em "Silêncio", uma tragédia na escola é narrada de forma própria. São diversas narrativas que transmitem o pouco percebido como poucos conseguem notar.
Maria Helena Macedo mostra no livro que possui o atributo digno de poucos escritores: escrever muito no pouco, sendo concisa com notória precisão em transmitir sentidos múltiplos em poucas linhas. Histórias precisas e muito bem escritas é o que se tem em "Contando Azulejos", de modo que, como registra Iara Tizzot no prefácio, os "contos são breves, mas intensos; cada palavra está impregnada por imagens e emoções, tornando-os densos e altamente poéticos".