Por que Louise não se afastou enquanto pôde? Por que ficou com ele até o fim?
Já nas primeiras páginas, sabemos que Louise e Liam estão mortos. Seus corpos foram retirados das águas do Limfjordem, em uma cidadezinha de Aalborg, e ainda estão presos um ao outro por algemas.
“Nos Dois na Madrugada” é um livro intenso, pesado e pode ser bastante perturbador para algumas pessoas.
Louise é uma adolescente acanhada e tem poucos amigos, porém, não tem problemas em casa e nem na escola. Só que tudo muda de rumo, quando ela conhece Liam, um rapaz muito ambicioso e mais experiente. Depois desse primeiro encontro, sua vida muda literalmente e essa história de amor será levada até as últimas consequências.
O livro é narrado pela própria Louise, intercalado entre passado e presente, apresentando ao leitor um desabafo cheio de sentimentos conturbados de uma adolescente.
O retrato exposto aqui sobre a perda, o luto e as escolhas erradas é muito triste, a história em si é pesada e em vários momentos sufocante. O amor retratado no livro é doentio, abusivo e letal.
A gente questiona e julga as atitudes dos personagens o tempo todo, mas ao decorrer da leitura, nos aprofundamos mais e mais nesse drama pessoal e familiar.
Amei demais essa leitura, apesar de todos os gatilhos presentes. A história já começar pelo final, não é nada negativo, muito pelo contrário, só deixou a leitura mais envolvente, e só atiçou mais a minha vontade de desvendar os mistérios que levaram os dois até aquele trágico momento.
Tudo nesse livro é intenso, desde os personagens, e a escrita é direta e realista. “Nos Dois na Madrugada” passa uma mensagem bem reflexiva: “Você é livre para fazer suas escolhas, mais é prisioneiro das consequências.”
➰Quote •
“Quero dizer, são as decisões que mudam tudo. É o que estou dizendo. Que tudo é uma questão de fatos casuais. Naquele dia, eu e ela tomamos a decisão errada. Devíamos ter feito outra coisa.”
Gatilhos: relacionamento abusivo, violência, abuso e luto.