A Inocência do Padre Brown -

    Gilbert Keith Chesterton

    Sociedade Chesterton Brasil
    2018
    306 páginas
    10h 12m
    ISBN-13: 9788549300102
    Português Brasileiro

    Como se verá por este A Inocência do Padre Brown – reunião de doze contos admiráveis e impecáveis, entre os quais, todavia, ouso destacar muito especialmente “A Cruz Azul” e “O Martelo de Deus” –, é na saga do Padre Brown que Chesterton atinge o cume da beleza artística. Tudo aqui concorre para tal: um uso brilhante das aliterações e do ritmo permitidos pela língua inglesa; uma riqueza vocabular que vai de par com uma grande profundidade, digamos, retórica (em o “Martelo de Deus”, por exemplo, diz o Padre Brown: “A humildade é a mãe dos gigantes”); um humor (finíssimo) e um drama cuja mescla tem parentesco, por um lado, com o Cervantes de D. Quixote e, por outro, com o Dickens de tantas obras; metáforas usadas na medida certa e no momento certo; tudo sempre contra um pano de fundo cristão ao mesmo tempo leve e grave, como convinha com a ideia que Chesterton queria simbolizar por esta saga. O que o leitor tem agora nas mãos – A Inocência do Padre Brown, primeiro livro da saga – é um tesouro. É obra de arte pura e simplesmente perfeita, e contribui grandemente para sua formação global

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    bia ☆10/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leitura interessante

    Meu primeiro Chesterton e me ganhou pela narrativa, a forma de prender o leitor e a descrição dos cenários de maneira quase poética. Embora volta e meia apareçam inspetores e detetives na trama (incluindo o detetive amador Flambeau, ex-bandido e amigo inseparável de pe. Brown), nenhum desses desvenda crime algum! Parecem uns bobos e até palermas, na verdade, incapazes de sacar coisas simples que até o leitor já desconfiava. Um padre detetive é sem dúvida uma temática nova pra mim. Foge do estilo dedutivo, já que padre Brown usa meios mais "humanos" e até intuitivos de mergulhar na vida íntima dos envolvidos e desvendar o mistério. Lembrando que Chesterton foi um católico fervoroso e o padre da história também o é, então a resolução dos casos e julgamentos está bem embasado nas vivências, crenças e pré-conceitos do detetive. Foi interessante e até um pouco desconfortável notar como o neocolonialismo inglês e a ideia de "os mais civilizados da Europa" esteve presente no comportamento dos personagens ingleses, especialmente no do Padre. Como ele julga o indiano como culpado erroneamente e fala que a escrita dos textos hindus parece logo de cara coisa do demônio, como a arquitetura oriental é bonita mas "errada" e torta, como os escoceses têm aspecto "selvagem", sempre postos como brutos e "touros, etc., me deram ideia da época em que o livro foi escrito. Três ou quatro contos eu adorei, os demais deixaram a desejar mas a narrativa seguiu boa do início ao fim. Desejo ler os demais da trilogia. "A humildade é a mãe dos gigantes. Vemos coisas enormes quando se está no vale, e apenas coisas minúsculas quando se está no pico." "– Conheci um homem – disse ele –, que começou adorando com os outros em frente ao altar, mas que cresceu gostando das alturas e lugares isolados para rezar, cantos e nichos no campanário ou na torre da igreja. Uma vez, em um desses lugares estonteantes, nos quais o mundo inteiro parecia curvar-se perante ele como uma roda, seu juízo também foi abalado, e ele julgou-se Deus. Tanto que apesar de ser um bom homem, ele cometeu um grande crime. O rosto de Wilfred estava virado para o outro lado, mas suas mãos ossudas ficaram azuis e brancas ao apertarem o parapeito de pedra. – Ele pensou que recebera o poder de julgar o mundo e matar o pecador. Nunca teria esse pensamento se tivesse ajoelhado, com outros homens, no chão. No entanto, viu todos os homens vagando como insetos." "As pessoas gostam de risadas frequentes – respondeu Padre Brown –, mas não creio que gostem de sorrisos permanentes. Alegria sem humor é algo exasperante. (...) – E a Religião da Alegria...? – É uma religião cruel – disse o sacerdote, voltando o olhar para fora da janela. – Por que não o deixavam chorar um pouco, como seus antepassados? Seus planos se esvaziaram; suas grandes visões perderam o vigor; atrás daquela máscara alegre estava o cérebro vazio." "Vidas particulares são mais importantes que reputações públicas. Vou salvar os vivos. E deixar que os mortos enterrem seus mortos."

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