Grande Hotel Abismo - A Escola de Frankfurt e seus personagens

    Stuart Jeffries

    Companhia das Letras
    2018
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-13: 9788535930931
    Português Brasileiro

    Em Grande Hotel Abismo o jornalista britânico Stuart Jeffries combina reconstituição biográfica e discussão filosófica em uma prosa afiada, revelando como os pensadores da Escola de Frankfurt procuraram discutir a política da cultura durante a ascensão do fascismo. Desse grupo faziam parte Walter Benjamin, Theodor Adorno, Max Horkheimer e Herbert Marcuse, estudiosos que não só mudariam a forma como pensamos mas também os assuntos que consideramos dignos de investigação intelectual. Suas vidas, bem como suas ideias, refletiram e moldaram eventos importantes do século XX. Mais tarde, alguns deles foram forçados a fugir dos horrores da Alemanha nazista e se exilaram nos Estados Unidos. Ao tomar como objeto de estudo a cultura popular em suas várias formas — a Escola de Frankfurt discutiu sobre a natureza e a crise de nossa sociedade de massas —, Grande Hotel Abismo mostra como essas ideias ainda são pertinentes para os tempos das mídias sociais e do consumismo desenfreado.

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    Conrado Parra08/09/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um passeio didático e prazeroso pelos bastidores da construção e a consolidação da famosa Escola de Frankfurt e seus principais pensadores

    "Grande Hotel Abismo" é uma biografia filosófica, histórica, e pessoal dos principais membros da Escola de Frankfurt e suas referências – desde sua fundação em 1923 até os dias de hoje. Walter Benjamin, Adorno, Horkheimer, Marcuse, Erich Fromm e Habermas são alguns desses personagens que tomam forma na mente do leitor com o ótimo texto do autor Stuart Jeffries, jornalista do Guardian e, por isso, acostumado com um texto mais claro. Somos guiados para um passeio pela História com H maiúsculo junto com essas figuras. Nós nos familiarizamos mais profundante com a fracassada revolução espartaquista da Alemanha, a ascensão do nazifascismo, a segunda guerra mundial, as revoltas estudantis de 1968, entre outros eventos. A história de Benjamin e seu pensamento foram os elementos que mais me chamaram a atenção e me atraíram. Ele não foi um membro da Escola, mas influenciou todos os integrantes dela com seu pensamento. Não dá pra negar a força de suas ideias. Adorno também foi um ponto de destaque. Você sai da leitura com vontade de ler quase tudo que esses caras escreveram. Conceitos importantes para o Instituto para Pesquisa Social (o nome oficial da Escola de Frankfurt) como a indústria cultural e a teoria crítica (fundada por esses pensadores) são explicados de uma forma bastante didática ao público. Assim como os criadores da chamada teoria crítica, que por algumas vezes pensaram com Marx e outras vezes contra ele, Jeffries também parece alternar entre pensar com seus personagens e também contra eles. Além do marxismo, a psicanálise freudiana também tem uma influência muito grande no pensamento da Escola, principalmente na figura do psicanalista Erich Fromm, que acaba depois criticando frontalmente o seu pensamento (assim como seus companheiros fariam com o próprio Marx). Há uma análise muito rica do desenvolvimento do capitalismo neste livro. O leitor será apresentado a conceitos muito importantes do pensamento de Marx. O conflito entre teoria e prática foi uma constante que acompanhou a Escola de Frankfurt por toda sua vida. O pessimismo em relação ao proletariado como um sujeito revolucionário e a impossibilidade de uma revolução era um traço comum em quase todos os membros da Escola – com exceção de Marcuse, que ainda acreditava em um tipo de utopia e foi considerado o pai da nova esquerda de 68. É interessante como o livro expõe as contradições de todos esses pensadores - desde sua origem social até suas influências diversas de pensamento. Ele também usa a arte do período histórico em que estes intelectuais judeus viveram para nos contextualizar melhor. Destaco um trecho de Stuart Jeffries falando do conto O Veredicto de Franz Kafka, um dos autores favoritos de Walter Benjamin: “É um conto para sua época, um conto sobre pais vigorosos e mundanos que rejeitam seus destinos, com filhos hipersensíveis, criticamente astutos e dialeticamente imaginativos, congelados pela culpa e estorvados por seus poderes de projeção. Este é o problema com gênios sensíveis: dificilmente são homens de ação. Os principais luminares da Escola de Frankfurt tinham todos eles, esse problema; um problema que visto de outra maneira, é parte de seu fascínio.” Recomendo fortemente “Grande Hotel Abismo” para quem tem interesse em história, política e filosofia em geral. Você não precisa concordar com tudo que esses pensadores disseram, nem mesmo o autor Stuart Jeffries concorda, mas vai sair dessa experiência muito mais enriquecido intelectualmente. Muito do que eles falaram e estudaram ainda ecoa nos nossos tempos e podemos nos aproveitar dessa obra para começar a pensar mais a fundo sobre o atual estado do capitalismo contemporâneo e os desdobramentos que a indústria cultural tomou no século XXI.

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