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    O Escravo do Governador -

    Serge Patient

    Pontes
    2005
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788571132078
    Português Brasileiro
    3.8
    2 avaliações
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    Favoritos0Desejados4Avaliaram2

    O romance se passa na Guiana Francesa em 1804, no tempo de Napoleão. A história retrata a vida de um negro. Vendido como escravo, provoca o desejo de uma lady inglesa que o adquire. Tempos depois o Governador Francês se apossa dele, transformando-o num sargento, para combater escravos rebeldes.

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    Maria Eunice Sousa26/12/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um presente ótimo!

    “– Você mudou, D’Chimbo?” “– Minhas roupas mudaram bastante”. Esta reposta, dada pelo protagonista à sua antiga amante - ele agora um soldado fardado e orgulhoso - já diz muito sobre as reflexões propostas por Serge Patient. É um livro curto, rápido de ler – outro que li “de uma sentada” – e, ainda assim, é uma preciosidade. O escravo do governador conta uma versão diferente da história de um homem real que virou lenda, ou mesmo um mito, na Guiana Francesa. Essa é uma versão romanceada da história de D’Chimbo – ninguém sabe seu sobrenome –, um nativo de uma tribo do Gabão, que chega na Guiana em setembro de 1858 (no livro essa data está alterada para 1804), e mesmo a Guiana já tendo abolido a escravidão, ele é vendido na praça depois de ter sido sequestrado no seu país. D’Chimbo teria tido sua história distorcida pelas narrativas brancas, que o colocaram como um grande bandido, ladrão e estuprador. Ainda o acusam de ser responsável indiretamente pela violência que existe na Guiana até os dias atuais. Percebe-se que talvez tais narrativas tenham tido a intenção perversa de macular a história do que teria sido, provavelmente, um verdadeiro herói para seus irmãos negros, por não se submeter ao que era esperado dele. Na versão romanceada de Serge Patient, D’Chimbo é um negro que almeja ser aceito pelo mundo dos brancos. Seu sonho é o da assimilação e ascensão ao poder no mundo branco, e para conseguir tal feito, percebe cedo que precisa dominar a língua de seus senhores, pois a língua é essencial para se ter um mínimo de informação e dignidade. Belo e forte, primeiro torna-se objeto de fetiche das europeias brancas e ricas, ele, alento para suas vidas insossas de mulheres ignoradas pelos seus homens – marido ou amante. Depois, torna-se militar de farda e é quando ele almeja a ascensão no mundo dos brancos, a partir do cumprimento do papel que se espera dele: traidor de seu povo, caçador de outros negros. Contudo, a narrativa de Patient deixa a desejar, pois coloca D’Chimbo como esse homem tornado dócil, esquecido das suas raízes, ansioso pela assimilação e aceitação branca. E mesmo o ritmo é prejudicado quando D’Chimbo se apaixona perdidamente, à primeira vista, pela branca loira, filha do seu “não-proprietário” – um homem branco abolicionista. Aparentemente, ela também se apaixonará por ele, mas, é imatura e o desencontro dos orgulhos impede que o romance de fato floresça e se consume. D’Chimbo é colocado como um homem ingênuo, porém, tendo que lidar com seus rancores, frustrações e ódios ao constatar o quanto traíra a si mesmo e ao seu povo no afã da assimilação. No fim, é pragueado pelo conflito entre seu desejo de poder e ascensão e a lealdade aos seus. O livro tem um ritmo bom até, mais ou menos uns 70%. Depois, parece se perder um pouco, e mesmo o fim parece ser um tanto improvisado. Deixa muitas pontas soltas, questões em aberto, interrogações – inclusive o possível romance com a mocinha loira filha do abolicionista. De qualquer forma, vale muito a pena, por homenagear essa figura destratada, injustiçada e vilipendiada da história da negritude na América do Sul. Com certeza, recomendo! 3,5/5

    2 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 2
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas50%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Serge Patient

    Escritor, educador e político francês na Guiana Francesa, Serge Patient nasceu em Caiena e estudou na França continental, se envolvendo com a militância guianense na faculdade. Seus textos refletem principalmente temas como autonomia, escravidão, a busca de uma identidade guianense, maroonage (similar a criação de quilombos no Brasil) e independência. Outros Livros: Le mal du pays (1967), Guyane pour tout dire (1980), Créole. Langue, culture et identité (1986)

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