Vai ser complexo falar sobre esse livro e talvez fique mais comprido do que eu gostaria que fosse, porém, esse não é um livro simples.
"Terra das Mulheres" é um livro escrito em 1915. Então, desde o início nos é avisado que o livro não suprirá nossas expectativas atuais em relação ao feminismo e na representação das mulheres. E realmente não supri, apesar disso, conseguimos enxergar muito nitidamente os primórdios do feminismo e as primeiras batalhas travadas por nossas feministas ancestrais. Surge daí um sentimento de respeito pela escritora e um desejo de entender a realidade em que a escritora viveu para nos apresentar a Terra das mulheres, do modo em que ela nos apresenta.
Sim, é uma terra praticamente perfeita em quesitos de conflitos zero, pobreza zero, fome zero, poluição zero e educação cem (um dos meus pontos favoritos deste livro é como as mulheres enxergam a educação como ponto ESSENCIAL para um mundo justo). Conforme dito anteriormente, a terra possue suas falhas por se tratar de algo escrito em um século muito distinto do nosso.
Entretanto, confesso que o que mais me prendeu neste livro foram os três homens principais da trama. Fiquei embasbacada sobre como a escritora desenhou estes personagens e me surpreendi (mas já deveria esperar) com a semelhança ABSURDA que eles têm com os nossos homens atuais.
O que me faz pensar que a nossa luta feminista ainda está longe de atingir um patamar ideal e que não estamos nem perto de estar satisfeitas com o que já conquistamos.
Essa escritora expôs pensamentos e atos masculinos já detestáveis por ela em 1915 que estão enraizados e naturalizados em cada homem que conhecemos hoje em dia...
Fugindo um pouco da luta feminista, fica muito claro durante a leitura que o "sucesso" dessa terra é a forma como elas priorizam a educação, o desenvolvimento pessoal e a inteligência empática.
Minha conclusão sobre essa leitura?
Ela me deixou chocada e me pôs uma reflexão muito nítida e repetitiva na cabeça: Nós sabemos que o feminismo já fez seu papel e já mudou muito a nossa realidade, porém me fez perceber o quanto estamos longe de mudar o pensamento masculino depreciativo sobre as mulheres. Chegou a hora de nós feministas (todos devemos ser feministas) mudarmos o homem e seu pensamento, focarmos em educação e empatia, para chegarmos algum dia, em um mundo mais justo pra todos!