Um jeito muito íntimo de acompanhar a vida de Caio, por meio de algumas das muitas cartas que escreveu a amigos, colegas e personalidades do seu contemporâneo.
Achei forte, às vezes difícil, bonito e muito inspirador, principalmente na fé e na verdade que ele deposita no que ele sente, em comunicar o que ele sente, no ato de escrever e na literatura, como potências (e sobrevivência) de vida.
“Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que eu escrevi” p.408
“E resisto. Gosto de mim assim, e mesmo que não houvesse mais, só por isso. Por resistir.” p.510
“Uma vez me disseram que eu jamais amaria dum jeito que "desse certo", caso contrário deixaria de escrever. Pode ser. Pequenas magias. Quando terminei Morangos Mofados, escrevi embaixo, sem querer, "criação é coisa sagrada!". É mais ou menos o que diz o Chico no fim daquela matéria. É misterioso, sagrado, maravilhoso.” p.522
Ps: Minha carta preferida é a do dia 10 de Agosto de 1985 escrita a Sérgio Keuchgerian, que eu deixo aqui apenas o trecho final (p.143):
“Somos muito parecidos, de jeitos inteiramente diferentes: somos espantosamente parecidos. E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim — para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. Me queira bem. Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo
Caio F.”
PS — Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
E amanhã tem (sol)”