Mas por que, então, os anarquistas, mais do que outras correntes do socialismo, sempre se interessaram pela educação? Este curto texto propõe-se a trazer, não uma resposta exaustiva, mas alguns elementos de reflexão relativa a essa questão central na s práticas e nas teorizações libertárias. A primeira razão desse interesse permanente é a inscrição do movimento libertário numa tradição humanista radical e filosófica na filiação de Rabelais, Montaigne, Rousseau, Pestalozzi, Condorcet, Godwin etc., na sequência, numa reflexão educacionista engajada por Fourier, Considérant, Le Français etc., o que teve por consequência direta que a maioria dos teóricos anarquistas interessou-se pela educação e produziu em relação a ela algumas reflexões como o fizeram Proudhon, de início, depois Bakunin, Kropotkin, Reclus e muitos outros. Tradição intelectual e revolucionária que deu lugar a fortes reflexões pedagógicas tais como aquelas de Guillaume, Pelloutier, Thierry, Robin, Faure, Ferrer e a significativas realizações emblemáticas como o orfanato de Cempuis, La Ruche, as Escolas Modernas ou outras menos conhecidas como as escolas libertárias de Hamburgo ou L´Avenir Social animada por Madeleine Vernet. Tradição e interesse jamais desmentidos , e que perduram até hoje com a escola Bonaventure, há alguns anos, o Liceu Autogerido de Paris (L.A.P.) ou a Dioniversidade em Saint-Denis hoje.
Autogestão Pedagógica e Educação Popular - a contribuição dos anarquistas
Hugues Lenoir
Intermezzo
2017
128 páginas
4h 16m
ISBN-10: 8568115446
Português Brasileiro
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