Essa não é a primeira obra que leio do Crichton. Gostei muito das ficções científicas dele que conheci e principalmente dos filmes que as adaptaram (que sempre passaram na Sessão da Tarde), os conceitos eram muito bons, e eu adorava dinossauros. Dito isso, ler Sol Nascente foi difícil e decepcionante. Não pela qualidade técnica, o autor escreve bem e sabe manter um suspense. Mas esse livro é um verdadeiro manifesto de nacionalismo fanático, racismo e xenofobia com pitadas fortes de misoginia disfarçado de thriller policial. Quando o autor interrompe por alguns momentos sua exposição do quanto o Japão é horrível, racista, que está destruindo o modo de vida americano junto com sua economia e cultura e que as vezes pensa que uma outra bomba deveria ser jogada por lá, pode ser entrever o esqueleto de uma história. Apenas o esqueleto mesmo, marcado por personagens caricatos: um personagem principal, detetive de carreira, que não tem um momento de assertividade durante 400 páginas, exceto, talvez, pra perguntar se uma mulher assassinada era "pervertida"; e um funcionário japonês ninja e meio psicopata que faz tudo pela empresa; um detetive super racista que xinga japoneses a cada cinco frases; e um super detetive que sabe de tudo do Japão e tem contatos misteriosos por lá. Pode parecer que estou simplificando, mas é tudo realmente simples. O que realmente salvou a leitura foi lembrar que o Sean Connery interpretou o personagem do Connor na adaptação cinematográfica (era muito boa): acabei usando a memória afetiva do filme pra sobreviver a isso. Enfim, alguém pode vir a gostar bastante do livro, mas é algo que não irei ler novamente.
Sol Nascente -
Michael Crichton
Difusão Cultural
1993
391 páginas
13h 2m
ISBN-10: 9727091733
Português Brasileiro
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