A economia verbal e o forte desempenho dramático são as principais características deste romance, que se coloca muito perto do texto de teatro e do roteiro de cinema. A autora Carmen Moreno recorta, com a firmeza da escultora, a valente Duran, cujo projeto de vida é a fama. Por um dia de glória venderá a alma ao Diabo. A par da determinação, há uma outra singularidade nessa personagem: tem absoluta consciência do que sabe e pode fazer. Falta-lhe a oportunidade, o momento certo para mostrar a grande atriz que há dentro de si. Vencendo dificuldades e preconceitos, Duran prepara-se. Por enquanto, sua vida é o palco imaginário que, em breve, por um processo de fusão, se transformará em palco verdadeiro. Luzes e sons, risos e aplausos. Muitos aplausos. Duran precisa que seu ego satânico seja massageado pelas multidões. Quer seu nome na mídia e nas bocas, embora não deseje proximidade com ninguém, pois seu individualismo é tão grande quanto seu sonho de glória. Para Duran, a vida só tem sentido se correr nos trilhos do sucesso. Fora isso é preferível a morte, esquecimento geral e absoluto. O sucesso que ela persegue tem sabor de aventura e, por ser aventura, é desafio.
