Eu não esperava deste livro um romance policial clássico - e realmente não é, é um drama - mas o que me surpreendeu foi ter nas mãos um livro muito, muito triste.
Lydia é a filha do meio de um casal apaixonado, mas frustrado e mal sucedido socialmente. Quando jovens, Marilyn, a mãe, era muito estudiosa e adorava tudo aquilo que diziam pertencer ao universo masculino: física, química, mecânica, medicina. James, de ascendência chinesa, sempre se sentira deslocado e solitário, apesar de ter nascido nos EUA. Sem perceber, ambos colocam sobre Lydia todas as expectativas que tinham para as próprias vidas e que terminaram em frustração: Marilyn nunca conseguira terminar a faculdade e trabalhar e James nunca conseguira se encaixar na sociedade e ser popular.
Quando Lydia aparece morta, o mundo de seus pais desaba e toda a estrutura familiar que parecia harmoniosa entra em colapso. Aos poucos eles vão perceber, com surpresa, que não conheciam a própria filha.
Um livro sobre frustração e expectativa, sobre solidão e pertencimento; uma reflexão sobre como, muitas vezes, não compreendemos os outros e baseamos suas necessidades nas nossas.
Eu simplesmente amei esta narrativa e a única coisa que eu mudaria seria trocar a ordem dos dois capítulos finais. Acho que se a história tivesse terminado com a visão de Lydia seria mais impactante.
É bom salientar que a narrativa se passa nos anos 70, quando os filhos eram mais submissos, as ordens dos pais eram dadas sem muita argumentação e, na maioria das vezes, acatadas sem discussão. O que não quer dizer que, nos dias de hoje, os filhos não queiram mais agradar aos pais nem que estes não continuem colocando expectativas em seus filhos.
"Como aquilo começou? Como tudo sempre começa: com mães e pais. Por causa da mãe e do pai de Lydia, por causa das mães e dos pais de sua mãe e de seu pai. (...) Porque sua mãe queria, acima de tudo, se destacar; porque seu pai queria, acima de tudo, se integrar. Porque as duas coisas eram impossíveis."