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    Primeiro Caderno do Aluno de Poesia -

    Oswald de Andrade

    Companhia das Letras
    2018
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-13: 9788535929942
    Português Brasileiro
    4.2
    16 avaliações
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    Favoritos0Desejados1Avaliaram16

    Em abril de 1927, terminava-se de imprimir a tiragem de trezentos exemplares do Primeiro caderno do alumno de poesia Oswald de Andrade. Tanto pela dimensão visual — com projeto gráfico de Tarsila do Amaral e “autoilustrações do autor” — quanto pelo conteúdo revolucionário, a obra se consagraria como pioneira entre os livros de artista no universo da poesia brasileira. Segunda coletânea de poemas de Oswald de Andrade, precedido por Pau Brasil, este volume reitera a máxima proclamada pelo autor no “Manifesto da Poesia Pau Brasil”: aqui está o poeta, com toda ousadia e radicalidade, vendo “com olhos livres”. Além da edição fac-similar, que reproduz o exemplar guardado na Coleção Brasiliana Itaú, do Itaú Cultural, o leitor vai encontrar neste envelope uma separata com o ensaio “Oswald, livro livre”, de Augusto de Campos, e “A infância do mau selvagem”, texto inédito de Manuel da Costa Pinto.

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    Lucas Rabêlo picture
    Lucas Rabêlo09/02/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Oswald livre

    Reminiscente do movimento modernista que eclodira no Brasil no início dos anos 20, o Caderno, datado de I927, feito à mão e dedicado à Tarsila do Amaral, esposa do autor à época, resume o consenso do verso livre, tão comumente ao período, longe de restrições artísticas. Oswald de Andrade ao lançar mão do manifesto antropofágico no ano seguinte, versaria ao identitarismo nacional, num patriotismo em formato de arte reflexiva. Com um olhar pueril, o Caderno é como que pautado por um infante. Ele vai se ater ao folclore, ao academicismo, ao governo do Brasil; de suas mãos imaturas e irônicas vocaliza uma grafia leve, de voz e personalidade próprias. A complexidade da obra, de poucas páginas, tem pretexto: uma vanguarda que redefiniria nossa historiografia enquanto cultura ante o estrangeirismo, vide as tantas estrofes de ritmo particular para datar a inserção das diversas etnias brasileiras e moldar-nos como este "carnaval". Os desenhos, "auto ilustrações" de Oswald, graciosos, o projeto gráfico de Tarsila e a métrica teimosa, é felicidade atemporal. A edição é um fac-similar do exemplar tecido para Tarsila em 27, tipografado em moderadas edições, e hoje mantido sob o Itaú Cultural em São Paulo.

    15 curtidas

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    4.2 / 16
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas38%
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    • 2 estrelas0%
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    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira  profile picture

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira

    Articulador e ativo participante do modernismo lançado em 1922, Oswald de Andrade foi o escritor mais rebelde de todo o movimento e o que mais tendeu, em sua prática, à formulação de utopias. Assumindo posturas radicais de esquerda, quis revolucionar não só a arte, mas também os costumes, as instituições e a vida social como um todo. De família rica, José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo SP em 11 de janeiro de 1890. Iniciando-se no jornalismo em 1909, como crítico teatral, em 1912 viajou pela primeira vez à Europa, de onde voltou com uma estudante francesa, Kamiá, a primeira de suas várias mulheres, e novidades de vanguarda como o "Manifesto futurista" de Marinetti. Bacharel em direito (1918), tornou-se amigo de Mário de Andrade, a quem lançou pelo Jornal do Comércio através do artigo "O meu poeta futurista". Em 1923, passou nova temporada na Europa, vivendo com a pintora Tarsila do Amaral, com quem mais tarde formalizaria o casamento. Lá conheceu importantes renovadores das linguagens artísticas, como Picasso, Blaise Cendrars, Erik Satie, Léger, Cocteau e Brancusi. Em 1924, publicou Memórias Sentimentais de João Miramar, um de seus livros mais conhecidos, e o "Manifesto da poesia pau-brasil", de ampla repercussão. Em Paris publicou Poesia pau-brasil (1925). Após viajar pelo Oriente Médio, retomou em São Paulo a atividade jornalística e lançou A estrela de absinto (1927; um dos romances da Trilogia do exílio). Colaborador assíduo dos principais veículos da pregação modernista, como as revistas Klaxon e Verde, fundou em 1928, com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado, a Revista de Antropofagia, que já em seu número inicial divulgou um dos textos mais polêmicos de Oswald, o "Manifesto antropófago". Dissidente, a essa altura, do grupo mais ligado a Mário de Andrade, lançou nesse texto, "contra todos os importadores de consciência enlatada", um de seus lemas de maior futuro: "Tupy or not tupy, that is the question." Em 1931, ingressou no Partido Comunista Brasileiro e começou a escrever sobre política. Separado de Tarsila e vivendo com Patrícia Galvão (Pagu), precursora do feminismo, fundou com ela O homem do povo, periódico de curta duração que pregava a luta operária. Casou-se outras duas vezes, candidatou-se em vão à Academia Brasileira de Letras e publicou intensamente: Serafim Ponte Grande (1933), O homem e o cavalo (1934), A escada vermelha (1934), A morta (1937), O rei da vela (1937), Marco Zero: a revolução melancólica (1943). Sempre rebelde e contestado por seus contemporâneos, Oswald de Andrade morreu em São Paulo em 22 de outubro de 1954, ano da publicação de suas memórias, Um homem sem profissão, sob as ordens de mamãe. Cerca de dez anos depois, sua obra nada canônica começou a ser revalorizada pelos intelectuais concretistas e pelos movimentos de poesia jovem

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    São Paulo, Brasil

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira