Nordestino:invenção do "falo" (Coleção Entregêneros) - uma história do gênero masculino (1920-1940)

    Durval Muniz de Albuquerque Júnior

    Intermeios
    2013
    253 páginas
    8h 26m
    ISBN-13: 9788564586413
    Português Brasileiro

    Este livro foi escrito antes do sucesso internacional alcançado pelas coleções sobre a história da virilidade no Ocidente. Sua primeira publicação, em 2003, veio não apenas cobrir uma lacuna historiográfica, mas ampliar o campo de perguntas sobre a cultura e a sociedade brasileiras. Fruto de uma rigorosa e detalhada pesquisa, Nordestino - invenção do 'falo' coloca a nu um problema cujas dimensões ultrapassam a história do sexo masculino, atravessam as relações de gênero e as discriminações entre as classes sociais para atingir o cerne da formação dos donos do poder no Brasil. Atento às violentas disputas voltadas a transformar o poder em bem privado, o autor não poupa esforço - esmiúça obras clássicas e jornais pouco conhecidos, questiona a antropologia, a sociologia e a história, indaga sobre a moda, a religião e a ciência para, progressivamente, descobrir como foi possível inventar o macho nordestino e, ainda, transformá-lo numa realidade natural, um destino, uma condição e um fardo. Durval Muniz Albuquerque Júnior considera-o uma questão, mesmo quando ele teima em ser resposta, dever e aptidão. Vai fazê-lo falar, lá onde ele se cala e teme ser investigado.

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    Luciana Andrade13/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A historicidade de um conceito

    Só uma escrita tão habilidosa, rica e complexa poderia transformar em questão um conceito tão fortes e aparentemente bem resolvido, como o nordestino. Adoro a virada em que o livro explica a invenção do nordestino como reação à 'desvirilização' da sociedade diante dos costumes modernos/urbanos, do fim do império e da redução dos poderes da família patriarcal. Claro que novas ordens de vigilância e disciplina urbanas vão se impondo, mas a desconstrução do conceito de nordestino para recuperar sua complexidade e as relações de poder que o definem é necessária e muito bem pensada no livro. Outro mérito da obra, ainda, é demonstrar o quanto de conservadorismo carrega a escrita de Gilberto Freyre, um dos autores fundamentais na invenção do nordeste. Recomendo!

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