Livrinho curto que se lê numa tarde, mas que carrega uma história de culpa, solidão e tristeza.
Damaris é uma mulher perto dos 40 anos que mora com o companheiro Rogelio numa aldeia de pescadores na Colômbia. Como é comum em certas praias, há as casinhas dos moradores e as mansões dos veranistas, que em geral, vivem na capital. Ela cuida de algumas dessas casas na ausência dos donos, às vezes ajudada por Rogelio, cuja atividade principal é a pesca contra viento y marea.
Damaris passou por algumas tragédias, tem um relacionamento acomodado com Rogelio e sempre teve o sonho de ser mãe - sem sucesso. Um dia ela adota uma cachorrinha e põe nela o nome que daria à sua filha, Chirli. Damaris a enche de carinho e cuidados, mas também coloca em Chirli expectativas que, se dificilmente são atendidas pelos humanos, menos ainda pelos animais.
Quintana pincela alguns temas difíceis aqui, mas como o desenrolar é breve, não chega a provocar um envolvimento visceral do leitor com a narrativa. Talvez tenha sido proposital da parte da autora, porque sinto que se tivéssemos tempo de acompanhar mais longamente a relação humano-canina ou mesmo se a narrativa fosse feita por uma das duas, teríamos um livro bem diferente e o impacto do final seria muito mais forte. E de maneira covarde confesso que, apesar de eu amar leituras incômodas que me deixam no chão, aqui até achei bom que não fosse assim.
Nota: Publicado no Brasil pela Editora Intrínseca como A cachorra, com tradução de Livia Deorsola.