Como está no subtítulo, é uma perspectiva crítica, isto é, a partir da Escola de Frankfurt, sobre os meios de comunicação. Porém, mais do que isso, o autor, sociólogo americano especializado em estudos de mídias, incorpora referenciais e metodologias dos Estudos Culturais, proposta surgida nas academias americanas nos anos 1980 para lidar com os então recentes fenômenos da globalização econômica e do multiculturalismo num mundo onde as categorias de espaço e tempo vinham sendo cada vez mais comprimido como consequência das novas tecnologias de comunicação.
O diferencial da obra está nas análises de filmes, séries e outros produtos da indústria cultural. Um dado interessante é a incorporação das minorias sociais como protagonistas a partir dos anos 1990. Tal incorporação, porém, tinha menos a ver com cidadania ou respeito aos direitos humanos por si mesmos do que com a descoberta, até então escondidos, de nichos de mercado que a indústria cultural havia ignorado. Por exemplo, à época, descobriram que os negros, 12% da população americana, eram 25% do público que frequentava cinemas. Hoje, é muito mais comum pesquisas socioeconômicas (surveys) feitas por empresas publicitárias com o intuito de descobrir públicos-alvo e novos nichos ao invés de massas. (Os orientais frequentam muito mais parques temáticos do que os outros grupos étnicos, por exemplo).
Atualmente, ninguém descarta a importância da inclusão e do respeito aos direitos humanos, mas este reconhecimento de uma cidadania tardia por parte de Hollywood é mais consequência, ou ideologia segundo essa abordagem, da descoberta de públicos consumidores (blackmoney, pinkmoney etc.), do que sua causa, ao contrário do que pensa a extrema-dreita global que vocifera, em seus mundos paralelos, que há um complô progressista-comunista-multiculturalista-feminista e sei lá mais o quê contra a cultura ocidental, a religião e a família. A explicação é relativamente mais simples ainda que não menos densa e profunda: "follow the money!". A expressão serve não só para explicar a corrupção, como também o funcionamento dos mercados
Para quem quiser entender como opera a complexa relação entre ideologia, cultura e meios de comunicação para além de teorias filosóficas e comunicacionais, este livro é uma obra-prima porque parte de pesquisas e estudos empíricos. Já se tornou um clássico da área. Vale a leitura.