A Revolução do Haiti e o Brasil escravista - o que não deve ser dito

    Marco Morel

    Paco Editorial
    2017
    348 páginas
    11h 36m
    ISBN-13: 9788546210657
    Português Brasileiro

    A Revolução do Haiti e o Brasil escravista – o que não deve ser dito trata de repercussões da Revolução Haitiana (1791 – 1825) no Brasil (1800 – 1840) colonial e imperial. Antirracismo, crítica à escravidão e afirmação das soberanias nacional e popular são o pano de fundo da narrativa: fios de uma trama que interliga protagonistas brasileiros (na época do processo de Independência) à ilha rebelde no Caribe. O historiador Marco Morel levou 15 anos elaborando o livro que inicia com uma síntese daquele evento, do qual resultaram: o único Estado nacional oriundo de uma insurreição de escravos no mundo; e, nas Américas, o primeiro país a abolir a escravatura e a segunda proclamação de Independência. Apesar da invisibilidade construída, tais episódios e seus personagens eram bem conhecidos entre as elites letradas – e além delas. Os ecos dos acontecimentos constituíram “fantasmas” mas encontraram, também, recepção favorável no Brasil entre setores diversos da sociedade. O silêncio do passado é eloquente. De impensável, o acolhimento da Revolução do Haiti tornou-se inaceitável, não-dito.

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    Marcelo Leite24/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um evento histórico que merece ser mais popular.

    É muito comum alunos perguntarem quando começaremos a estudar sobre Segunda Guerra Mundial, Nazismo. Já que trata-se de eventos extraordinários e impressionantes. A história é cheia de momentos assim, marcantes e capazes de atrair a atenção. No entanto, vejo pouca procura pelo tema da Revolução do Haiti. Um tema tão incrível quanto tantos outros. Afinal, quem não gostaria de conhecer um pouco mais sobre um levante de escravizados que resultou no fim de seu cativeiro e na independência e nascimento de uma nação. Nesta obra o historiador e professor do Departamento e do Programa de Pós-graduação em História da UERJ, Marco Morel, apresenta de forma bem dinâmica, sem perder a precisão e rigor historiográfico os eventos que levaram tal revolução a se concretizar, fornecendo quadros com cronologias dos fatos, mini biografias das lideranças que se destacaram. Em seguida, o foco do livro passa a ser o Brasil, e de que forma a Revolução de escravizados influenciou o século XIX por aqui. Partindo da literatura de 3 abades franceses que adotaram posições favoráveis à libertação da colônia, mesmo que em níveis e argumentos diferentes. Morel também questiona a total possível visão negativa sobre a Revolução do Haiti no Brasil, apresentando textos de jornais da época adotando posicionamentos liberais. E o quanto o tom do que se falava sobre a nação negra independente oscilava mediante as mudanças políticas e os conflitos armados que o Brasil enfrentava nas primeiras décadas deste século. Há um destaque a figuras como livreiro, padres, lideranças de Revoltas no Brasil da época muito interessantes, marcantes e que são excelentes escolhas de fonte de pesquisa para entendermos o cenário histórico da qual a obra se debruça, trazendo consigo suas contradições, assim como as contradições da própria Revolução Haitiana. Para quem gosta de História e pouco conhece sobre o tema, A Revolução Haitiana do Brasil Escravista tem bastante a contribuir.

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