Nota de falecimento
"quando os poetas pararão de morrer? não sei o que fazer com esses arquipélagos de páginas planetárias carimbadas nas fibras óticas da minha cegueira não sei o que fazer com esse medo medo medo de me ligar a esse mundo escandalosamente fugaz etéreo imaterial líquido pasmo e desmaiar diante da tela tão branca e de esmurrar meu cérebro até ter ânsias ânsias e perder a voz eclodem somente espasmos que bem poderiam ser os esgares do meu prazer sua rebelião os poetas não param de morrer com patas do sem fim eles se arrastam nas avenidas catando restos de sua sombra exterminada pelos demônios oficiais doidos para vender sua alma ao diabo trôpegos atrás dos delírios de deus e ainda dizem que a poesia fica"

