O Canibalismo Amoroso -

    Affonso Romanto de Sant'Anna

    Rocco
    1993
    324 páginas
    10h 48m
    ISBN-13: 9788532504081
    Português Brasileiro

    A história da poesia brasileira que o poeta Affonso Romano de Sant'Anna fez neste livro é uma viagem pelo desejo masculino e sua projeção no corpo do ser amado. Ao sabor da estética e dos costumes de cada época, as mulheres podem ser amadas distantes, anjos de corpos imaculados ou mulatas calientes, saboreadas como mulheres-fruto ou mulheres-caça. Os poetas neoclássicos, como Tomás Antonio Gonzaga, por exemplo, mal falavam em beijos ou seios. Já no Romantismo, a culinária é mesclada ao erotismo, na pele de mestiças cor de buriti, ao mesmo tempo cozinheiras e comida. Castro Alves é a única voz dissonante, colocando-se ao lado dos oprimidos, numa metáfora baseada na mitologia grega, em que a ninfa negra encontra Pan, o violador, o signo da morte, em 'A cachoeira de Paulo Afonso'. As mulheres, para os parnasianos, eram semelhantes às estátuas de mármore- belas, frias e inatingíveis. Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens encheram o Simbolismo de magnólias e lírios, garças e anjos. E Manuel Bandeira inaugura o século XX com a união entre o sexual e o espiritual, misturando santas, como Maria Egipcíaca e Teresa, a prostitutas, estrelas e flores. Além disso, Affonso Romano de Sant'Anna revela um componente edipiano na poesia de Vinícius de Moraes, recheada de imagens de Grandes Mães e de filhos-amantes.

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    Ana Luiza Voigt Guimarães17/12/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Imensa riqueza em Mitos e Arquétipos

    O livro é fabuloso – traz uma coletânea riquíssima de mitos e arquétipos que povoam o imaginário do ser humano desde tempos remotos. Acabei lendo o livro depressa demais, e como ele é riquíssimo de informação, deveria ser lido com mais  cautela… pretendo reler! A única ressalva que faço: às vezes me perdi, já que o autor faz, do começo ao fim, um paralelo com a poesia brasileira mais antiga: os arcadismo, parnasianismo, romantismo, simbolismo etc. E eu estou longe de dominar esse assunto! ☹ Enfim, vou reler a obra, que é absolutamente fascinante, tem uma linguagem belíssima, poética até… e merece ser fruída com mais lentidão e cuidado. Segue o índice para que os interessados percebam a riqueza de assuntos desenvolvidos pelo autor.  ● A mulher de cor e o canibalismo erótico na sociedade escravocrata . Da mulher para ser vista à mulher para ser comida . A mulata apetitosa na culinária amorosa . . O discurso da sedução: a crioula e o feitor . Brejeirice e faceirice como elementos de troca: a mulata cordial . Castro Alves e a denúncia do social através do sexual ● Da mulher-esfinge como estátua devoradora ao striptease na alcova. . Vênus e Maria: o desejo e a interdição numa só estátua . A devoração voyeurista e o véu da interdição  . O Édipo poeta e a esfinge devoradora  . A mulher-estátua e a alquimia erótica do corpo entre a pedra e a água  . A taça, o vaso e a concha como conteúdos e formas do desejo  . A mulher-sereia, a mulher-serpente e a sedutora Cleópatra  . Salomé, Laís e outras dançarinas e o striptease da estátua nas festas e alcovas. ● Do canibalismo melancólico sobre o corpo da amada morta à eroticidade de Lúcifer . O amor entre o luto e a melancolia  . O canibal melancólico  . O canibalismo erótico-cirúrgico  . A fome erótica do verme  . O sapo, a escada e a Lua no paradoxo ascensional  . Ofélia e o cisne no espelho líquido da morte  . O “lyrio” e o cenário vegetal da morte  . A Bela Adormecida e o conflito de Psique e Alma  . O amor sonâmbulo no castelo do desejo  . Monjas e santas: o sequestro místico do desejo  . Da monja enclausurada ao poeta emparedado . Lúcifer: o poeta assume o luminoso mal ● Manuel Bandeira: do amor místico e perverso pela santa e a prostituta à família mítica permissiva e incestuosa . A santa e a prostituta nas margens do desejo  . A hierogamia e a prostituta sagrada  . A vulgívaga e o súcubo contagiando de morte a alma dos santos  . Do Pã violador ao Arlequim sedutor  . A androginia perversa e mística  . Dom Juan e a espada fálica entre a carne e o espírito  . Pasárgada: a família permissiva no reino do prazer . O jogo ambíguo do menino com a sereia-prostituta . A prostituta e sua metamorfose em estrela e flor  . O poeta sórdido: tuberculose e prostituição, a cicatriz do verso e a morte ● Vinicius de Moraes: a fragmentação dionisíaca e órfica da carne entre o amor da mulher única e o amor por todas as mulheres . O ego cindido entre o bem e o mal na tela do imaginário  . A grande mãe boa e má e seu filho-amante  . Narciso cego e o rito unificador de Orfeu  . Dionísio e a fragmentação erótica da carne  . O regime lunar e o regime solar no cromatismo do desejo  . A mulher fálica e os aspectos teriomórficos da angústia noturna  . O macho castrador reage ante a mulher ameaçadora  . O desejo líquido e incerto ante o seio bom e o seio mau  . Imagens líquidas do leite, do sangue, do mênstruo, do sêmen e da urina no jorro da poesia.

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