Boys Will Be Men - Masculinity in Troubled Times

    Richard Hawley

    Paul S. Eriksson
    1994
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9780839711940

    Drawing on examples from the historical and cultural record—from King David to The Catcher in the Rye's Holden Caulfield—this book offers a compelling examination of the heroic and tragic elements of male experience to define the nature of masculinity in the modern world.

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    Guilherme Karamázov10/03/2026Resenhou um livro
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    Hawley e a Resposta Arquetípica à Crise da Masculinidade

    Vivemos um tempo de grande crise no que concerne à masculinidade. Efetivamente, o conceito de “ser homem” é, frequentemente, incompreendido ou malquisto, fruto direto de uma mentalidade que reduz a masculinidade a uma mera construção social. Nesse sentido, a imagem do homem não seria algo inato, mas uma construção que o posiciona artificialmente como “superior” ao gênero feminino — o que é vulgarmente conhecido como “patriarcado”. Por conseguinte, a própria masculinidade é vista, no mínimo, como um problema em potencial, cuja cura residiria num comportamento efeminado deliberado. Com efeito, é notório que os alicerces desta visão podem ser encontrados no pensamento de Freud e de outros psicanalistas, como Karen Horney. Enquanto Freud entendia o desenvolvimento masculino como centrado no Complexo de Édipo — uma fuga do medo da castração paterna —, Horney baseava-o no conceito chamado “dread of women”. Para ela, a masculinidade seria uma reação desesperada ao temor de ser “reabsorvido pela onipotência materna”, incorrendo numa necessidade de depreciar o gênero feminino numa tentativa de diminuir o seu poder e afirmar a própria masculinidade. Ato contínuo, a virilidade deixa de ser vista como uma potência intrínseca ao homem e passa a ser compreendida como uma “patologia” que precisa ser curada. Rejeitando ambas as visões e suas semelhantes, Hawley propõe-se, nesta obra, resgatar nobremente a verdadeira essência do masculino por meio do arquétipo literário. Nesse resgate, o autor utiliza o mito de Perceval para representar a transição entre a infância e a maturidade. O jovem personagem, inicialmente isolado do mundo por conta da superproteção de sua mãe, vê-se impelido a romper com o conforto do mundo materno para buscar o seu destino. Para Hawley, esse rompimento — frequentemente interpretado pela sensibilidade moderna como um ato cruel — é, com efeito, uma necessidade psíquica imperativa. Ademais, a masculinidade nesse estágio é caracterizada por uma ingenuidade e uma força bruta desajeitada que ainda desconhece a prudência, mas que carrega consigo a determinação de buscar as coisas mais altas — representadas pelo Graal. Por conseguinte, como bem representa a história, a masculinidade inicial precisa de ser forjada pelo sofrimento e pela instrução de mentores. Se Perceval ilustra o ponto de partida, é na figura do Rei Davi que Hawley encontra a plenitude da alma masculina com todas as suas contradições. Davi é, de facto, a representação ideal da integração entre duas faces aparentemente opostas: o sensível poeta que toca uma harpa e um guerreiro que enfrenta leões e gigantes. Ao rejeitar a armadura de Saul (cf. 1Sm 17,38-39), o autor vê aqui o simbolismo do homem que opta por confiar em sua própria natureza essencial, em vez de permitir-se ser dominado por papéis sociais artificiais. Ademais, mesmo em suas sombras, a masculinidade de Davi é coroada com o arrependimento e a busca pela retidão, provando, assim, que a verdadeira força reside na submissão da vontade a uma ordem superior. Por fim, Hawley, baseando-se principalmente em Anthony Storr, conclui que a solidão é, em vez de uma aberração social, uma necessidade inerente ao gênero masculino; é um espaço em que o homem se liberta da ironia corrosiva do mundo moderno e se reconecta com a sua própria natureza. Com efeito, a capacidade de suportar a solidão evidencia um desprendimento das opiniões alheias e das construções sociais. Por conseguinte, o recolhimento é um chamado ao diálogo silencioso com o Criador e à aceitação de nosso dever no mundo. Finalmente, presto meus agradecimentos ao Pe. Paulo Ricardo que, por meio de um de seus vídeos, tornou-me possível o encontro com esta obra.

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