Um livro de fantasia do tamanho de The Priory of the Orange Tree promete muita coisa. Antes de mais nada, ele promete ser épico. Pela citação da capa, dizem que merece ser tão famoso quanto Game of Thrones e, ainda que a comparação seja exagerada pela editora (o que não consigo confirmar, já que nunca li GoT), só de existir, ela já me fez esperar uma fantasia medieval, com jogos políticos e batalhas emocionantes.
É difícil dizer se Priory entrega tudo que promete. Na minha opinião, entrega bem mais. Logo no começo do livro, já dá para ver que o mundo que a autora criou para ele é complexo demais para não ser surpreendente. Os personagens narradores são bastante diferentes e estão passando por situações tão diversas, que não tem muito como esperar nada. Fiquei tão imersa na história, que já não tinha expectativas, nem tinha como comparar o que estava lendo com o que esperava antes. Desde o começo também, a autora leva a história em rumos nada previsíveis, o que me ajudou a parar de tentar adivinhar o que ia acontecer.
O enredo é realmente único, na minha opinião. O mundo dessa história tem um propósito para existir. Ele é cheio de peças diferentes, se movendo ao seu tempo; personagens diferentes, tendo atitudes que vão influenciar outros, em cantos opostos do mundo; é tanta coisa! Levei um pouco de tempo para acompanhar tudo direitinho e terminei o livro com vontade de reler só para poder absorver todos os detalhes e indiretas do começo que não tinha como eu perceber antes. A primeira metade do livro é menos movimentada do que a segunda, mas nunca chega a ser parada. Tem sempre alguma coisa acontecendo na história, e a autora não perde tempo com cenas inúteis. Isso é bem raro com livros tão grandes!
Talvez ele pudesse ser um pouco mais curto, para falar a verdade, mas não acho que oitocentas páginas intimidem tanto assim. Foi ruim para mim, porque o meu exemplar era pesado e mais frágil do que precisava ser, então tive que fazer certos malabarismos para conseguir ler sem danificar a lombada, mas valeu a pena. Quando eu pegava o livro para ler, nunca queria largar.
Eu amo dragões, então confesso que essa foi a primeira razão para eu querer ler o livro. Fiquei só um pouco triste pelos dragões do Oeste serem vilões! Para mim, dragões têm que ser sempre amados e idolatrados, como os do Leste! Mas amei ver as duas espécies diferentes, além dos dois jeitos que eles poderiam ser vistos por culturas diferentes.
E acho que essa é uma das coisas mais excelentes que o livro tem, a diversidade de culturas, crenças e personagens. É um mundo bem medieval mesmo, então fez muito sentido toda a distância entre os países, o pouco que um sabia sobre os outros que não eram aliados ou próximos. Gostei muito de ver as religiões diferentes, como a de Inys foi criada principalmente, mas também sobre o priorado e as suas crenças! É tudo tão crível, tão plausível e real nesse livro, desde que tipo de coisa as pessoas acreditam e como isso se desenvolveu durante mil anos, que não tem como não se sentir parte da história!
Dos quatro personagens narradores, Ead foi de longe minha favorita, mas teve partes da história em que eu estava bem mais interessada no que estava acontecendo com os outros! Tem tanta cena diferente, em navio, voando com dragão, fugindo da corte, lutando contra inimigos e antigos aliados, traição à coroa, na sala de trono, no meio de um castelo que mais parecia um pesadelo, entre tantas outras! Isso sempre me anima! Também adorei poder ver pelo menos um pouco de cada país (faltou um, mas nem fez falta!) desse mundo. É esse tipo de coisa que deixa a história mais real.
Não sei dizer bem o que mais gostei em Ead. Talvez seja ela ser decidida e tomar atitudes em vez de ficar se questionando. Ela acredita em seu instinto, e eu adoro isso. O romance dela também é muito bem feito, devagar e realista, sem nunca tomar o foco da história, mas ainda importante. Ele é, afinal, um detalhe, nem chega perto de dar à história a chance de ser classificada como romance.
Uma das minhas partes favoritas do livro foi ver tantas personagens mulheres diferentes em todos os sentidos. Física, emocional, religiosa, cultural e intelectualmente. É isso que significa 'fantasia feminista', um livro em que as mulheres são pessoas reais e diversas. E isso é tão raro, principalmente com personagens tão complexas e que se desenvolvem durante a trama, que o livro valeria quatro estrelas só por isso.
Mas essa complexidade está em tudo de Priory e sua história é o verdadeiro significado de trama, pois é tudo conectado, ainda quando não fica claro desde o começo. São mesmo várias peças se movendo ao mesmo tempo, todas se encaminhando para o clímax do livro, e eu ficava cada vez mais impressionada pelo controle da autora em amarrar tudo e dar tanto, mas tanto detalhe significativo em todas suas cenas. Estou realmente impressionada!
É claro que recomendo o livro! Eu quero mais! Espero que a autora escreva outro livro nesse universo, mas ao mesmo tempo espero que Priory seja único! Ainda bem que eu não me deixei intimidar por algo tão besta quanto a quantidade de páginas, principalmente que agora eu queria que tivesse ainda mais! Definitivamente um dos favoritos, porque me marcou de um jeito especial também!