Sou fã incondicional e apaixonada da Elis. Não apenas da interprete, mas também da mulher. Tenho um vasto material dela, discos (tenho todos! Mó orgulho!), livros, entrevistas, recortes de jornal... Ama-la não me impede de aceitar que a sua morte esteja ligada as drogas. Isto não diminui e nem altera o carinho, o afeto e a admiração que sinto por ela. Este livro no meu entender tem algumas falhas graves que colocam em cheque a verdade dos fatos, como a suposta declaração de Elis ao médium em que ela afirma ter dois filhos. Uma mãe não esquece simplesmente um de seus filhos... Outra e a suposta afirmação de Elis, de que no momento da morte teria “voltado ao teatro aonde estava em cartaz com seu show, e se vira no caixão”. Elis estrelava “Trem Azul” em São Paulo, na ocasião em que morreu, mas o show não estava em cartaz no Teatro Bandeirantes que foi o local do velório, esta e outra falha grave pra mim. Mas o mais importante, no meu entendimento, foi a atitude do Samuel, do César e dos pais dela. Eles simplesmente calaram-se após o laudo da necropsia. Antes que o laudo saísse houve protestos contra a suposta causa da morte: Overdose, mas depois que o laudo oficial saiu, eles se calaram. Hora, não acredito que se houvesse uma “armação” da ditadura, como muitos alegam incluindo o autor, o eles não se calariam. O Samuel estava exatamente “brigando” contra o comando da ditadura no caso Herzog, não faz nenhum sentido ele se calar diante de uma suposta armação no laudo de óbito da cantora que era sua namorada na ocasião. César inúmeras vezes se recusou a dar entrevistas, a liberar os direitos para filmes e series sobre a vida da Elis sob a alegação de que os seus filhos (dos quais ela era a mãe) eram muito pequenos para compreender o que havia acontecido, e até que eles fosse adultos não iria permitir que a memória da mãe deles fosse revirada. Não faz sentido ele se calar diante de uma suposta armação. Por isso acho que o livro é fraco. Não reuniu provas que conseguissem sustentar a argumentação que da nome a ele: Porque Elis Regina não morreu de overdose. Uma pena, mas o livro não consegue sustentar esta afirmativa. Por isso temos aceitar os fatos e lembrarmo-nos que as circunstancias da sua morte não modificam a genialidade desta estrela maior da nossa musica.