"Conto de Inverno" trata de temas como o ciúme, o arrependimento e reparação, onde Leontes, Rei da Sicília, se torna extremamente ciumento praticamente DO NADA (queria convencer seu melhor amigo Polixenes, Rei da Boêmia, a ficar mais um pouco na Sicília, o qual aceita após o convite cortês da esposa de Leontes, Hermíone), e assim, sem pretexto, acaba envolvendo seus súditos leais numa trama de morte e prisão contra Polixenes, que consegue fugir - com a ajuda de Camilo, o tal nobre, que via as suspeitas de seu rei como altamente infundadas). Dessa forma, o ciúme de Leontes dará a tônica dos atos da primeira parte da peça (alguns, trágicos), bem como marcará o destino de todos os personagens. Na segunda parte da peça, que se passa aparentemente no verão, se encontra a parte mais leve (que nos remete de fato ao conceito dramatúrgico de comédia), onde Leontes, após revisitar seu equívoco que culminou em tragédia, tenta fazer reparação como pode - e Polixenes, sempre muito cordato e justo, dá umas escorregadas nessas virtudes, quando despreza o filho e Perdita - a filha de Leontes (mas estesó saberá no terço final da peça). Assim, incluindo uma cena exótica de uma estátua que não é estátua, mas Hermíone - uma faceta de fantasia ou apenas um esconderijo? O leitor decidirá -, a peça termina.
"A Tempestade" é uma das peças mais conhecidas do Bardo, principalmente por sua temática fantástica, onde Próspero, mago e ex-duque de Milão, acaba sendo vítima de uma tramoia política e quase morre em alto mar, mas acaba sendo levado para uma ilha desconhecida, onde fica de certa forma exilado juntamente com sua filha, Miranda. Mas quando vislumbra oportunidade de se vingar contra seus algozes, invoca Ariel, o espírito do Ar, e Calibã, um servo que chamam de "monstro", para concretizar sua vingança e restabelecer seu poder.
Confesso que, das duas peças, "Conto de Inverno" chamou mais minha atenção. Embora tenha uma carga mais trágica no primeito ato, o alívio vem no segundo, trazendo também um ótimo personagem, Autólico, que gosta de contar vantagem e se aproveitar de situações. "A Tempestade" também tem diálogos formidáveis e engraçados, principalmente nas cenas que envolvem Calibã, Estéfano e Trínculo.
Peças altamente recomendáveis.