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    O Fogo e o Relato - Ensaios Sobre Criação, Escrita, Arte e Livros

    Giorgio Agamben

    Boitempo
    2018
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788575596265
    Português Brasileiro
    4.2
    20 avaliações
    Leram42Lendo9Querem81Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados81Avaliaram20

    O que está em jogo na literatura? No que consiste o fogo que nossos relatos perderam, mas que aspiram, a todo custo, recuperar? O que é a pedra filosofal que os escritores, com a mesma paixão e obstinação dos alquimistas, empenham-se para forjar em suas fornalhas de palavras? E o que é que em todo ato de criação resiste tenazmente à criação, conferindo assim a cada obra sua força e graça? Por que motivo pode-se encontrar na parábola o modelo secreto de toda narrativa? Nos dez ensaios de O fogo e o relato, Giorgio Agamben condensa as preocupações que estão no cerne de suas investigações filosóficas. Em busca do “elemento passível de ser desenvolvido” e da “zona impessoal de indiferença” entre o autor amado e seu leitor, o filósofo italiano convoca grandes interlocutores – Dante Alighieri, Franz Kafka, Paul Celan, Giorgio Caproni, Giorgio Manganelli, Pier Paolo Pasolini, Cristina Campo, Simone Weil, Aristóteles, Espinosa, Walter Benjamin, Roland Barthes, Heidegger, Hölderlin, Gilles Deleuze, Michel Foucault – e os coloca na ordem do dia, ou no centro do vórtice, para fazer menção a um dos ensaios mais poderosos do volume. Apresentadas por Agamben em lugares e contextos diversos, as reflexões reunidas em O fogo e o relato trazem conceitos-chave na obra do autor – como inoperosidade, uso, potência-de-não e forma-de-vida – e tratam, em última instância, da linguagem e da relação entre vida e obra. Como sempre ocorre nos escritos do autor, a obstinada interrogação do “mistério” da literatura, levada a cabo inclusive em seus aspectos mais materiais (a transformação da leitura na passagem do livro à tela), se entrelaça com uma reflexão sobre outro, e mais obscuro, “mistério” da modernidade, agora ético e político. Nos tempos sombrios em que vivemos, quando a opinião parece ter tomado de vez o lugar do pensamento crítico, os textos de Agamben nos trazem de volta a força emancipatória da palavra.

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    Filipe Tasbiat picture
    Filipe Tasbiat13/09/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O fogo e a alquimia da criação

    Agamben escreve por linhas tortas que nem sempre (quase nunca) são fáceis de acompanhar. Seus ensaios filosóficos sobre potência e forma-de-vida são bastante complexos. "Vórtice" é igualmente complicado, mas cria imagens e alegorias realmente intrigantes, mesmo para os leigos como eu. Os ensaios que me interessavam, "O fogo e o relato", "Sobre a dificuldade de ler" e "O antes e depois do livro" são consideravelmente mais simples que os demais (?) tratados filosóficos e trazem retratos profundos sobre a arte e a literatura, seus caminhos e descaminhos na história e na pós-modernidade. O eco à Benjamin é inconfundível: "O fogo, que só pode ser narrado, o mistério, integralmente libado num história, agora jos retira a palavra, fechou-se para sempre numa imagem."

    2 curtidas

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    4.2 / 20
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    Giorgio Agamben profile picture

    Giorgio Agamben

    Agamben foi educado na Universidade de Roma, onde em 1965 escreveu uma tese laurea inédita sobre o pensamento político de Simone Weil. Agamben participou dos seminários Le Thor de Martin Heidegger (sobre Heráclito e Hegel) em 1966 e 1968. Na década de 1970, trabalhou principalmente com linguística, filologia, poética e tópicos da cultura medieval. Nesse período, Agamben começou a elaborar suas preocupações primárias, embora seus rumos políticos ainda não estivessem explícitos. Em 1974-1975 foi fellow do Warburg Institute, University of London, por cortesia de Frances Yates, a quem conheceu por intermédio de Italo Calvino. Durante esta bolsa, Agamben começou a desenvolver seu segundo livro, Stanzas (1977). Agamben esteve próximo dos poetas Giorgio Caproni e José Bergamín, e da romancista italiana Elsa Morante, a quem dedicou os ensaios "A Celebração do Tesouro Escondido" (em O Fim do Poema) e "A Paródia" (em Profanações). . Foi amigo e colaborador de eminentes intelectuais como Pier Paolo Pasolini (em cujo O Evangelho Segundo São Mateus fez o papel de Filipe), Italo Calvino (com quem colaborou, por um curto período, como assessor do editora Einaudi e desenvolveu planos para uma revista), Ingeborg Bachmann, Pierre Klossowski, Guy Debord, Jean-Luc Nancy, Jacques Derrida, Antonio Negri, Jean-François Lyotard e muitos, muitos outros. O pensamento político de Agamben foi fundado em suas leituras da Política de Aristóteles, da Ética a Nicômaco e do tratado Sobre a Alma, bem como nas tradições exegéticas sobre esses textos na Antiguidade Tardia e na Idade Média. Em sua obra posterior, Agamben intervém nos debates teóricos que se seguiram à publicação do ensaio de Nancy La communauté désoeuvrée (1983) e da resposta de Maurice Blanchot, La communauté inavouable (1983). Esses textos analisavam a noção de comunidade em um momento em que a Comunidade Européia estava em debate. Agamben propôs seu próprio modelo de comunidade que não pressupunha categorias de identidade em The Coming Community (1990). Nessa época, Agamben também analisava a condição ontológica e a atitude “política” de Bartleby (do conto de Herman Melville) – um escrivão que “prefere não” escrever. Atualmente, Agamben leciona na Accademia di Architettura di Mendrisio (Università della Svizzera Italiana) e lecionou na Università IUAV di Venezia, no Collège International de Philosophie em Paris e na European Graduate School em Saas-Fee, Suíça; anteriormente lecionou na Universidade de Macerata e na Universidade de Verona, ambas na Itália. Ele também ocupou cargos de visita em várias universidades americanas, desde a University of California, Berkeley, até a Northwestern University, e na Heinrich Heine University, Düsseldorf. Agamben recebeu o Prix Européen de l'Essai Charles Veillon em 2006. Em 2013, ele recebeu o Prêmio Dr. Leopold Lucas da Universidade de Tübingen por seu trabalho intitulado Leviathans Rätsel (Leviathan's Riddle, traduzido para o inglês por Paul Silas Peterson)

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    Kingdom of Italy, Itália

    Giorgio Agamben