Remorsos Para Um Cordeiro Branco -

    Reina María

    Penalux
    2018
    130 páginas
    4h 20m
    ISBN-13: 9788558333481
    Português Brasileiro

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    O Colador de Resenhas05/07/2018Resenhou um livro
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    A LUCIDEZ NA POESIA DE REINA MARÍA RODRÍGUEZ

    “não sujem a paisagem a velocidade nem a alegria” Reina María Rodríguez por Luiz Otávio Oliani A Cuba de Alejo Carpentier, tão desconhecida para os brasileiros, ganha um presente com a publicação do livro de poemas de Reina María Rodríguez, "Remorsos para um cordeiro branco", com tradução de José Eduardo Degrazia, orelhas de Raquel Naveira e quartacapa de Alexandra Vieira de Almeida, pela Editora Penalux, 2018. No prefácio, o tradutor refere-se a "Uma poesia de claros e escuros como aquele sótão aberto para os ventos do mar", numa alusão à antítese citada por Alexandra Vieira de Almeida na quartacapa, ou seja, à mistura do concreto e do abstrato. Isto porque o remorso pode ser percebido como uma forma única do despertar da própria consciência, por meio de um eu lírico crítico e ciente da própria morte. Se de um lado, Reina carrega consigo a dor, o espanto, o sofrimento dos homens, o olhar sobre a injustiça; por outro lado escreve tão magnificamente que os poemas são como cordeiros que apascentam os leitores. Já o adjetivo branco traz-lhe uma aura mítica, espacial, associando-se à pureza, conforme “Outra natureza morta”’ (p.84), quando se lê: “Por que me intrometo no leve que aparece (...) / para que eu seja incluída / em uma definição mais singela / que deixou de ser decorativa?”’ Cabe, aqui, uma alusão a uma característica da literatura desta premiada autora cubana. Nas orelhas da obra, Raquel Naveira cita que “Muitos dos poemas narrativos são quase prosa, quase contos.” Desta forma, imprime-se um texto que valoriza o cotidiano, a vida por ela mesma, através de um grande olhar literário. A poesia de Reina toca o mundo pelas beiradas. Isto porque, no poema “Embrutecidas”, sentencia: “O homem é uma névoa de paixão, lembranças / e amargura”, (p.71), o que ajuda a ratificar o título da obra em voga. Em "Vitrines" (p.65), a efemeridade do tempo aparece no texto, tudo por meio de uma imagem muito forte. A boneca destroçada revela o fim de uma fase de vida para a personagem, como se lê em: “Foram aquelas bonecas decapitadas / com suas roupas de pesponto / e seus desejos cortados coagulados / o fim da infância.” (p. 66) "Morrer duas vezes" (p.86) é de um lirismo encantador. A morte do piano personifica o desaparecimento de pessoas, metonimicamente. Nota-se, portanto, que a poeta tem um domínio incrível cabal da língua, mesmo quando trata de temática difícil como a funesta, conforme se lê: “(...) O cemitério do piano, sua tumba / Sempre terá desníveis embora pretendam revelá-la. / Nem sequer existirá um gato rondando por ali com sua cabeça / amarela” (p.87). Assim, se “Só o Amor regressa, volta, ao mesmo barco / que navega para a América” (p.96), eis a questão levantada por Reina: “Qual o lugar para meus poemas?” (p.113) A resposta está na leitura dos livros desta grande escritora cubana. *Luiz Otávio Oliani é professor e escritor. Publicou 13 livros, sendo 10 de poemas e 3 três peças teatrais. O título mais recente é o solo de poemas “Palimpsestos, Outras Vozes e Águas”, Editora Penalux, 2018.

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