Cronus, locus, foco narrativo ...
O tempo, o espaço e o narrador são alguns dos elementos estruturais de uma narrativa. Somente grandes autores conseguem brincar com estes de forma criativa. Em Senhora da sexta-feira, Milton Dias trabalha com dois focos narrativos (primeira e terceira pessoas): dois pontos de vista que ao longo da leitura vão se entrelaçando. Milton conseguiu o que Tércia Montenegro tentou na obra Turismo para cegos. Apesar de encontrarmos alguns erros de digitação, nada disso ofusca o gigantismo do autor nessa narrativa que nos joga logo de início um conflito como isca, nos fisgando de imediato pela curiosidade de saber seu desfecho. Milton Dias já tinha nos agraciado com suas excelentes crônicas no livro Relembranças e agora se revela nessa dimensão romancista com a mesma maestria.

