Ótimo livro, muito instrutivo e instigante! Traz todo um contexto histórico para o nascimento da Capoeira no Brasil, mas também muito de sua filosofia e de sua essência essencialmente espiritual, como um movimento coletivo de libertação. E também sugere agudos questionamentos sobre as repetidas tentativas de transformar a Capoeira em um processo integrado ao Sistema, negando sua origem marginal e revolucionária.
Ou seja, este pequeno grande livro é muito apropriado ao papel que lhe cabe, de apresentar a Capoeira aos interessados, na célebre Coleção Primeiros Passos da editora Brasiliense, com as informações mais básicas expostas de forma didática e atraente. Mas o livro também se permite propor voos mais altos e mergulhos mais profundos, sabedor de que o caminho da Capoeira tem início, mas não tem fim...
Algumas informações apresentadas no livro me impressionaram muito, como a história de que os capoeiras no tempo logo após a abolição da escravatura costumavam utilizar uma sinistríssima arma, em adição às suas já letais habilidades: uma faca feita com o osso da canela de um defunto, fácil de afiar e capaz de provocar um corte de difícil cicatrização, que geralmente causava sérias infecções na vítima...
Como bem disse Mestre Bimba, Capoeira é maldade. Mas também é tudo o que a boca come, como bem disse Mestre Pastinha... Conciliar esses dois conceitos, aparentemente contraditórios, é o grande desafio!
Encontrei um interessante registro em vídeo sobre o autor do livro, Mestre Almir das Areias:
https://youtu.be/e3oqcgescoI
Viva a Capoeira!