A poesia de Débora é tão sóbria quanto mais entrelaçada está com a pesada realidade. Algumas vezes mergulhar nos seus versos é estar, enquanto leitor, com uma faca encostada à garganta, o grito que sai da boca da poeta contém revolta e muito medo, porque o eu lírico está diante de uma realidade torpe, na qual, os gritos e as lágrimas dos que sofrem não mais comovem. É rapidamente perceptível que entre os variados títulos de tais poemas, “Conto de Fadas”, “Puberdade”, escondem-se histórias e sentimentos que se secundarizam frente a crueza da realidade, que se destaca. Se a puberdade é o período no qual o jovem está radialmente se abrindo para as novas possibilidades, na lírica de Débora, a criança e o adolescentes são representados não mais na sua potencialidade, mas sim, como seres marcados e destinados a sina da violência. Esta camada de tristeza que vem da percepção da pesada realidade, torna-se ainda mais trágica à medida que a existência continua a soprar novas vidas, novas crianças, que por sua vez, nascem inseridas em atmosferas tão pesadas e extremas como as de guerra. Fazendo referência a João Cabral de Melo Neto, a poeta diz que a humanidade é um aglomerado de “Severinos”, pessoas que nascem nos mais desoladores cenários, no “caminho de pedra e caatinga”, mas que aceitam a vida como a “sina de todo dia”.
Caleidoscópio (1 #1) -
Débora Pfeilsticker
Penalux
2018
90 páginas
3h 0m
ISBN-13: 9788558333399
Português Brasileiro
Edições (1)
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