Em 1981 a revista Veja acompanhou o andamento das negociações entre Ludwig e Antunes na venda do Projeto Jari. Certamente, material valoroso para pesquisadores do tema, por isso divulgo.
Nessa reportagem, publicada uma semana depois da informação de venda (que a revista credencia como comunicado pioneiro nos meios de comunicação), o destaque está em alguns personagens envolvidos: Augusto Antunes (por sua fama lendária no empresariado brasileiro com a ICOMI, estabelecido na liderança do grupo comprador), Delfim Netto (então Ministro do Planejamento no Governo Figueiredo) e Robero Gama e Silva (encarregado do Conselho de Segurança Nacional no Alto-Amazonas). Uma breve visão sobre estes revela fatos interessantes na compreensão do Projeto Jari.
Antunes era amigo de Ludwig e a negociação é abordada como conversa informal entre eles. Interessante a exposição de alguns fatos que o destacaram como empresário, referentes a Guerra Fria. A URSS, através de Nikita Kruschev, suspendeu o fornecimento de manganês para o mercado americano (fazendo com que os EUA procurasse novas fontes e, em prazo curto, estabelecesse parceria com Antunes através da empresa Bethlehen Steel, para exploração do minério no Amapá); e o Egito, através de Gamal Abdel Nasser, fechou e dominou o Canal de Suez em 1956, fazendo com que o preço do manganês saltasse. Pontos que contribuíram para o enriquecimento e sucesso de Antunes na ICOMI.
Delfim Netto, Ministro do Planejamento, é mostrado como orquestrador da compra da Jari e o texto mostra uma frase sua interessante para entender o fracasso de Ludwig: "O Jari é uma coisa tão extraordinária que, se fosse realizado na Malásia, por exemplo, as terras seriam dadas de graça". Oras, então porque o governo fez uma política de oposição e pouca parceria? Se fizermos uma pesquisa do porque Ludwig vir para a Amazônia desenvolver projeto, que planejava desenvolver em outra região do planeta, vamos perceber que foi atraído por uma série de seduções e promessas do governo militar (posicionamentos que não se confirmaram no desenrolar e, na falta, potencializaram o colapso da empresa).
Roberto Gama e Silva, como exemplo da oposição. Entre as dificuldades da Jari, a regularização de terras. Gama embargou exploração em regiões que Ludwig reivindicava para a empresa e era um dos principais opositores como representante da Segurança Nacional.
Enfim, mais um texto oportuno para as pesquisas, publicado na Veja 650, de 18 de Fevereiro de 1981.