Li a versão em espanhol, com o objetivo de conhecer mais o idioma, e gostei da ideia de aprender mais sobre um país latino-americano. Mas não pensava que, junto com isso, conheceria uma personalidade como a de Gioconda, alguém que viveu o século passado e vários de seus momentos históricos (do seu país e do mundo) de modo intenso e apaixonado. É de grande valia conhecer sua visão sobre Nicarágua e outros países da América Central, suas impressões ao visitar e morar nos Estados Unidos e ao visitar países da Europa e África. Também nos é possibilitado conhecer sob seu ponto de vista figuras históricas importantes como Fidel Castro, Vo Nguyen Giap, os irmãos Ortega, entre outras. Nota-se pela leitura a grande importância que ter participado do movimento sandinista teve em sua vida. A luta por ideais coletivos representou as maiores alegrias vividas e contadas no livro autobiográfico de Gioconda, mas isso não impediu que expressasse na obra sua visão crítica de como se deu o movimento revolucionário em suas várias fases. Outro ponto que me chamou a atenção foi o tratamento dispensado a ela, como mulher, por revolucionários e homens de esquerda do seu e de outros países. Situações que vão desde um pedido de um general para que ela se deitasse com ele para poder cumprir sua missão de fornecer uma informação, até ser considerada a secretária pelos anfitriões, por ser a única mulher entre os revolucionários em uma expedição pelos países então socialistas da Europa. Porém, é lindo ver sua virada de jogo contra o machismo e a opressão, sua conquista sobre o próprio corpo e vida, assim como, junto com seus companheiros, conquistou a Nicarágua e acabou com uma ditadura. Essa primeira conquista se faz nas relações amorosas de Gioconda, que ficam mais maduras e ela parece aprende a amar sem permitir que o amor a apague ou diminua. Enfim, é um livro que recomendo muito a quem busque mulheres fortes como inspiração para a vida, e a quem queira entender um pouco sobre como se dá uma revolução em um pequeno país do centro do mundo. Para quem queira, enfim, conhecer sobre anseios por liberdade de uma mulher forte de um pequeno país.


