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    Andar, andar -

    Alfredo Garcia-Bragança

    Populivros
    2018
    90 páginas
    3h 0m
    ISBN-13: 9788567225043
    Português Brasileiro
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    EMBORNAL DE LEMBRANÇAS PEREGRINAS, por Paulino Júnior. A estrada me aparece como o símbolo mais adequado para abordar esta obra e seu autor. No sentido imediato, foi na estrada que conheci Alfredo Guimarães Garcia em pessoa, quando de nossa parceria no projeto Arte da Palavra, promovido pelo Sesc nacional. Saí da ilha de Santa Catarina para me encontrar com o escritor do Pará (originário da cidade de nome apreciável pela cadência sonora assonante: Ananindeua) a fim de percorrermos, em setembro de 2017, quatro cidades do Rio Grande do Sul: Canoas, Montenegro, Lajeado e São Leopoldo. Chegamos a apelidar nossa turnê literária de “Caravana Rólidei” – em franca brincadeira ao filme Bye Bye Brasil. Na estrada, convivi com um sujeito cheio de histórias e galhardia. Um sujeito de riso fácil, não por condicionamento protocolar, e sim porque sabe sacar a piada e a poesia que cabe no dia a dia. E o contador de histórias, de orelha em pé e faro fino para o miúdo, captando o universal incrustado no particular, faz-se presente nas páginas deste Andar, andar: Memórias do nunca mais. O título já dá boas pistas do processo de pavimentação do projeto literário. Em literatura há duas entidades arquetípicas de personagens, manejadas de maneira consciente ou não, para que a narrativa seja desenvolvida: o pícaro e o peregrino. Grosso modo, o primeiro se caracteriza pelo caráter ardiloso e travesso, seu deslocamento no tempo e espaço se estabelece na forma da aventura, em que as instituições sociais e os limites impostos servem justamente para serem ridicularizados, burlados e transgredidos (muitas vezes para tirar vantagens pessoais e escapar de enrascadas); já o peregrino implica em questões mais metafísicas, os eventos enredados se configuram, na totalidade, em uma jornada existencial com buscas e descobertas transformadoras (para o bem e para o mal). Guiado por essas coordenadas, sou levado a carimbar a obra em mãos de Embornal de lembranças peregrinas. E esta bagagem carrega o que mais aprecio na literatura do Alfredo: a matéria guarnecida de gente, histórias de muitas vidas. Trata-se aqui de romarias concomitantes em via de mão dupla. Na medida em que o narrador realiza sua jornada, rumo ao propósito determinado, outra passa a ocorrer em seu interior: uma sucessão de reminiscências e recordações desencadeada pela galeria de personagens/personalidades que cruzam seu caminho. No compasso da peregrinação, perdas e ganhos são relativos, fracasso e sucesso são impostores. Em Andar, andar, a morte pega carona nas pegadas do peregrino e, passo a passo, refresca sua memória a respeito de que a passagem do homem pelo tempo é uma travessia sem GPS. Não precisamos chegar ao fim da linha para compreender que andar pela longa e sinuosa estrada da vida é uma viagem à finitude de experiências pessoais e intransferíveis. Modo diferente de lidar com esta obra, recomendando-se que todo itinerário seja percorrido para ter a certeza de que Alfredo Guimarães Garcia é um louco. Louco à moda de o Assinalado, de Cruz e Sousa: o louco da imortal loucura, o louco da loucura mais suprema, em que a Terra é sempre a tua negra algema, e que povoa o mundo despovoado, de belezas eternas, pouco a pouco...

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    Joaquim Alfredo Guimarães Garcia

    Alfredo Garcia-Bragança (Joaquim Alfredo Guimarães Garcia) é paraense nascido em Bragança em 1961. Desde 1986 o escritor vem construindo sua história na literatura brasileira com livros de contos, poesia e crônicas, além de diversos títulos em literatura infanto-juvenil. Já publicou mais de 30 livros, sendo dois deles em parceria: “Cidade das Águas” (2004, Paka-Tatu, esgotado) e “Epifanias” (2009, Paka-Tatu), o primeiro com o poeta Ronaldo Franco e o segundo com o contista H.G. Neto, filho de AG-B. É bacharel em Comunicação Social, especialista em Teoria Literária e Mestre em Estudos Literários ela Universidade Federal do Pará. Desde 1993 mora no município de Ananindeua com sua mulher Gleice, os filhos Alfredo Neto, Frederick Charles e Glenda, além dos cães Barney e Agatha. Multipremiado, o escritor já recebeu elogios de grandes nomes da Literatura Brasileira, como Ignáci o Loyola Brandão, que assim escreveu sobre o livro de contos “O Homem Pelo Avesso”: Li O homem pelo avesso de uma assentada, como diria um amigo meu de Mossoró, o Dorian. Porque é bom de ler, prende, é bem escrito, não tem o ranço de lugares-comuns que, em geral, dominam a produção literária brasileira. Muitos de seus textos são fragmentos propositais (...). São instantes que ficam em nós, daí a sua qualidade de fascínio.” Já o professor doutor em Letras, Joel Cardos, disse assim no prefácio do livro “Epifanias”: “Alfredo Garcia é detentor de uma prosa originalíssima e o conto, sua praia, constitui-se indubitavelmente na sua marca caracterizadora, o seu ponto alto. As peculiares situações do cotidiano ganham, na pena do autor, uma dimensão que extrapola os convencionais limites do episódico ou do regional. (...) Alfredo Garcia está na plenitude de seu mister artístico. Transita com maestria e segurança nos domínios do conto. Conduz com sedutora habilidade a narrativa, dando-lhe a dimensão exata, quando valoriza, na curta extensão requerida por esse gênero difícil, o efeito único. O seu discurso, num registro preciso, é sempre ágil, fluente e, o mais importante, vem eivado de lirismo.” José Afrânio Moreira Duarte (1931-2008), escritor e jornalista, autor de “O menino do Parque” e “Fernando Pessoa e os caminhos da solidão”, no prefácio de “O Livro de Eros”, assim se expressou: “Alfredo Garcia (...) sabe muito bem como dizer coisas com características de amplitude, usando apenas as palavras adequadas e necessárias (...). Tem o dom de dizer muito em poucos termos, que usa com maestria, escrevendo sempre de modo tal que dá ao leitor a impressão de estar reencontrando fatos vividos ou testemunhados. (,,,) É um autor que, normalmente, tem o que dizer e sabe muito bem a forma de fazê-lo”.

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    Pará, Brasil

    Joaquim Alfredo Guimarães Garcia