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    Coerção, Capital e Estados Europeus 990-1992 (Coleção Clássicos #7) -

    Charles Tilly

    EdUSP
    1996
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-10: 8531403529
    Português Brasileiro
    4.4
    4 avaliações
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    Favoritos0Desejados19Avaliaram4

    Este livro - primeira tradução de uma obra de Charles Tilly em língua portuguesa - combina vários elementos da pesquisa anterior do autor sobre os Estados, a ação coletiva, a urbanização e o desenvolvimento do capitalismo. E é considerada até agora sua análise mais sofisticada e abrangente das origens dos Estados modernos, fornecendo material profícuo para uma reflexão sensata sobre os perigos, benefícios, potencial e limites dos Estados nacionais nessa época de mudanças maciças no sistema internacional de Estados.

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    Resenhas (1)Ver mais
    João Pedro Soares picture
    João Pedro Soares17/11/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Livro excepcional. O autor tem um ponto, o expõem e destrincha ao longo de trezentas páginas e um milênio os argumentos que o sustentam. Gosto muito de análises históricas que essencialmente quebram uma dose de anacronismo involuntário que se tem. No caso, a constatação de que o modelo de estados nacionais nem sempre existiu; enquanto existiu, nem sempre foi único ou a melhor opção. Ressaltar como tudo, no fim das contas, deságua em guerra é interessantíssimo também, bem fundamentado e faz um sentido muito direto. Dentro da inevitável necessidade por fazer algumas simplificações quando se propõe a explicar tanta área em tanto tempo, acho que o autor foi muito bem nas suas categorizações. Excesso de capital, excesso de coerção ou balanço de ambas conseguiram abarcar bem os "Estados" europeus ao longo da Idade Moderna; destaco também como o Tilly se muniu bem de argumentos minimamente específicos sobre os países europeus; cabe destacar: Rússia, Inglaterra, países nórdicos, França, Itália e Alemanha. O livro explica bem o surgimento, as negociações para com a população, as diferentes concessões que precisaram ser feitas, os contextos geopolíticos de cada nação, o papel do capital e da coerção. Em aspas diretas do livro: "Os Estados europeus começaram em posições muito diferentes em função da distribuição de capital e coerção concentrados. Mudaram à medida que se alteraram as interseções do capital e da coerção. Mas a competição militar acabou impelindo-os na mesma direção geral. Fortalecen ao mesmo tempo a criação e a predominância final do Estado nacional. No processo, os europeus criaram um sistema de Estado que dominou o mundo inteiro. Hoje vivemos dentro desse sistema de Estado." E apenas para não passar sem críticas: o autor é muito ruim quando se propõe a falar de continentes que não o europeu. O último capítulo, sendo só isso, é um desastre. Chega a afirmar que a ditadura no Brasil teve apoio dos Estados Unidos para acabar porque eles teriam uma "preocupação maior com os direitos humanos". Em geral, ele levanta a possibilidade das grandes potências (leia-se EUA e URSS) contribuírem para a proliferação de golpes militares no Terceiro Mundo pós Segunda Guerra, mas trata como uma mera hipótese e sob argumentos que até a descredibilizam (surge com um número de meros 9% de intervenções externas nos golpes militares do 3° mundo). Então fica um clima meio de "esses países pobres e à margem dos direitos humanos não sabem se cuidar, têm muitos problemas, os militares são organizados e politicamente concisos e emergem organicamente como alternativa natural - apesar de ruim - à tomada do poder. Poxa vida mas que coisa, precisam tomar mais cuidado com isso!". Mas enfim, dentro do que o livro primariamente se propõe - análise sobre o surgimento do modelo de Estado europeu - ele é excelente. Uma leitura que vale muito a pena e definitivamente me sinto intelectualmente melhor depois dela.

    1 curtida

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    4.4 / 4
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    • 1 estrelas0%
    Charles Tilly profile picture

    Charles Tilly

    Fez seus estudos na Universidade Harvard, no Departamento de Relações Sociais, e na Univesidade de Oxford, Balliol College. Graduou-se em 1950, e obteve seu Doutorado/Ph.D, em 1958, em Harvard. Atuou na Universidade de Delaware, na Universidade Harvard, na Universidade de Toronto, na Universidade de Michigan, de 1969 a 1984, e na Universidade Columbia, onde foi professor de ciências sociais, último posto acadêmico que ocupou. Em Harvard, sua formação acadêmica foi influenciada por Barrington Moore, Pitirim Sorokin, Samuel Beer e George Caspar Homans. Com ênfase na sociologia histórica e na sociologia política. Tilly foi professor-assistente de Pitirim Sorokin. Escreveu inúmeros livros sobre as relações entre política, economia e sociedade. Sua produção intelectual foi impressionante, publicou mais de 50 livros e 600 artigos. Considerado o fundador da sociologia do século XXI, e um dos sociólogos e historiadores mais importantes da atualidade.

    2 Livros
    1 Seguidor
    Illinois, Estados Unidos

    Charles Tilly