Catherine McKenzie nos conta a história de três mulheres que eram próximas às vítimas de uma explosão ocasionada por um vazamento de gás em um edifício em Chicago: Cecily, Kate e Franny. O incidente, que ficou conhecido como Triple Ten, fez 513 vítimas fatais e deixou mais de 2000 feridos. A trama começa quando no ano seguinte a Initiative, uma organização com o intuito de dar suporte às famílias que comprovadamente possuíam um ente querido no fatídico incidente, encarrega Teo Jackson, um documentarista que estava tirando fotos de alguns mendigos próximo ao local do desastre, de fazer um documentário com as famílias das vítimas. Durante as entrevistas mentiras são contadas e verdades são encobertas, o que nos deixa a pergunta: “Quem é o grande mentiroso?”
A história de Cecily nos é contada em primeira pessoa. A personagem perdeu o marido e a melhor amiga no Triple Ten. Através dela descobrimos os principais detalhes do acidente e o quanto isso afetou não só a sua família, como também a de várias outras pessoas. Cecily, por um golpe de sorte ou propositalmente, naquela manhã acabou se atrasando para o encontro que tinha marcado com seu marido Tom Grayson, com quem teve seus 2 filhos. Tom era o cofundador da empresa de software sediada no prédio do incidente. No momento da explosão ela tem seu primeiro contato com Teo Jackson, quando este tira a fotografia que a tornou o cartaz do Triple Ten. Com a tarefa de criar seus filhos, Cassie de 15 anos e Henry de 13, nossa heroína se vê enfrentando momentos na educação dos filhos nos quais sempre imaginou ter Tom ao seu lado para dar suporte. Tendo que se adaptar a essa nova realidade, ainda tem que lidar com os efeitos da “popularidade” gerada pela fotografia tirada por Teo.
Trabalhando como babá dos gêmeos Willie e Steven de três anos em Montreal, Kate é uma das personagens que achei mais misteriosa. Narrada em terceira pessoa, sua história muitas vezes se torna um tanto confusa e então você se dá por conta de que na verdade é uma nova revelação que está sendo tecida. Kate é a personificação da pessoa cheia de erros que quer recomeçar a vida, mesmo que a maneira para que isso ocorra não seja a certa. Por ser tão misteriosa, não dá pra falar muito sobre a personagem sem acabar estragando alguma grande descoberta sobre a história. Digo alguma porque a história de Kate tem várias coisas a nos dizer, quando achamos que tudo já nos foi relatado, mais uma surpresa nos é contada.
A maior parte da história de Franny nos é contada através das entrevistas que ela dá para Teo durante a produção do documentário. Franny também possui seus segredos, mas não acho que sejam tantos quanto os de Kate. Durante as entrevistas descobrimos sua origem e também como sua vida está ligada ao Triple Ten. Um dos principais fatos sobre Franny é que ela tomou frente da Initiative, sendo ela uma das principais pessoas a ajudar as famílias das vítimas a receberem sua indenização.
No geral foi uma boa leitura, caso haja oportunidade, estarei lendo mais livros da autora. A medida que você vai lendo, teorias são montadas na sua cabeça, desconfianças com relação a vários personagens, até descobrir o grande mentiroso. Alguns momentos achei meio massante o fato da autora voltar em momentos já contados da história para adicionar mais informações, no demais foi uma leitura muito agradável e também muito viciante.