Autoajuda mascarada de ficção
Ao ler a contracapa desse livro, pela descrição de que um cientista é morto e a CIA, FBI e polícia local estão envolvidos, acreditei que se tratava de um thriller e até mesmo ao ler as primeiras páginas segui por esse caminho, porém o livro assume uma identidade de filosofia existencial que mistura ciência e religião, e isso resume praticamente todo o resto da obra o que nem seria um problema, caso o livro fosse bem escrito. Até tiveram algumas poucas páginas que me fizeram acreditar que a leitura retomaria o rumo, porém logo voltava a se concentrar em filosofia fictícia e páginas de explicação sobre o funcionamento do cérebro (que não podem ser confirmadas sem pesquisas já que é tudo ficção) que se repetiram inúmeras vezes. Os personagens são mal desenvolvidos, os diálogos são chatos e desnecessários na maior parte do tempo. Em um único capítulo foram mais de 40 páginas só falando sobre funcionamento do cérebro, filosofia, Deus e as consequências éticas e morais do projeto fictício que por um momento achei que estivesse lendo sobre algum trabalho científico real e suas consequências. Além disso, a obra contém diversos erros de português, o que prejudica ainda mais a experiência de leitura, mas que ignorei nas expectativa de um bom romance de suspense. O mistério principal permanece sem resolução concreta, as partes espirituais parecem desconectadas, e o final é apresentado de forma abrupta, sem qualquer contexto. Se este livro tivesse sido escrito como uma obra de autoajuda ou religiosa para um público específico, talvez tivesse funcionado melhor. Como thriller, falha em entregar o que promete.
