O autor era um ferrenho opositor do nazismo, teve sua obra queimada em público, perdeu a cidadania alemã, mas conseguiu fugir e escreveu essa obra no exílio, em 1936. E acabou se tornando uma espécie de porta-voz dos intelectuais alemães que viviam no exílio, contra os nazistas. E esse livro é uma exemplo magnífico dessa luta, uma das poucas obras que nos mostram que nem todos os alemães compactuavam com as ideias de Hitler e seus asseclas. É um livro rápido e fácil de ler, mas bastante profundo nas suas colocações, especialmente sobre os sentimentos do provo alemão acerca da situação que estavam vivendo - e isso ainda antes da II Guerra começar, quando grande parte dos horrores perpetados pelos nazistas ainda nem tinham vindo à tona. E MEFISTO mostra também o outro lado, através da história de um ator de teatro extremamente talentoso e que tem acima de tudo a ambição de tornar-se nada menos que o maior ator da Alemanha. E para conseguir seu intento, ele fará de tudo, até mesmo vender sua alma ao Diabo, no caso, o alto escalão do regime nazista. Curiosamente, ele alcança seu objetivo através da interpretação magnífica de Mefistófeles, em Fausto. Porém, ironicamente, aqui é o próprio Mefistófeles que se rende a um Mal maior. Romance soberbo, leitura mais que recomendada e, se possível, não deixem de assistir o filme baseado nele, obra-prima do cinema, estrelado de forma ímpar por Klaus Maria Brandauer.