Neste texto, Kafka relê o encontro de Ulisses com as sereias e opera uma inversão: se o navegante protege-se da sedução por um frágil estratagema, as sereias oferecem o seu silêncio. “Para preservar-se das sereias, Ulisses tapou os ouvidos com cera e deixou-se amarrar ao mastro. Naturalmente, há muito tempo qualquer viajante poderia ter feito algo semelhante (salvo aqueles que as sereias seduziam de longe), mas em todo o mundo se reconhecia que isso não seria de ajuda. O canto das sereias a tudo traspassava, até a cera e a paixão dos seduzidos teriam feito saltar mais do que mastros e cadeias. Contudo, embora talvez tenha ouvido falar a respeito, nisso não pensou Ulisses, que, com plena confiança no bocado de cera e nos laços das cadeias, na alegria inocente de seu estratagema, navegou ao encontro das sereias.” Tradução: Luiz Costa Lima / Projeto gráfico: Rafael Camisassa
Caderno n.70: O silêncio das sereias (Caderno de Leituras) - (Franz Kafka)
não informado
chão da feira
2017
5 páginas
10m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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